Falha na soldadura da via terá causado tragédia ferroviária em Espanha
Investigadores descartam erro humano. Linha foi renovada em maio do ano passado
O trágico acidente ferroviário que fez pelo menos 40 mortos e mais de 120 feridos na região espanhola de Córdova, este domingo, terá sido provocado por uma falha na soldadura da via, indica uma investigação preliminar.
De acordo com o 'El Mundo', os técnicos envolvidos na investigação acreditam que a soldadura de um dos carris terá cedido à passagem do comboio de alta velocidade Iryo que fazia o trajeto entre Málaga e Madrid com quase 300 passageiros a bordo. As três carruagens traseiras da composição, que seguia a 210 quilómetros por hora, descarrilaram e invadiram a via contrária. Vinte segundos depois, o comboio Alvia Madrid-Huelva, que levava a bordo 184 pessoas e seguia a 205 Km/hora, embateu com enorme violência contra as composições descarriladas. Segundo as autoridades espanholas, o maior número de vítimas mortais seguia nas primeiras carruagens do Alvia, que descarrilaram e caíram por um declive de quatro metros de altura junto à via. Esta segunda-feira à noite, mais de 24 horas após o acidente, ainda havia corpos presos nos destroços.
As autoridades descartaram a possibilidade de erro humano ou falha nos sistemas eletrónicos de segurança da via, que não tiveram tempo para atuar. Segundo a imprensa espanhola, o maquinista do Alvia ainda terá tentado travar, mas não conseguiu evitar a colisão. O seu corpo foi projetado a dezenas de metros pela força do embate. Os destroços ficaram espalhados ao longo de centenas de metros e as duas composições acabaram por se imobilizar a uma distância de 800 metros entre si. Dezenas de catenárias foram arrancadas, o que atesta a violência da colisão.
O comboio Iryo tinha saído da inspeção há quatro dias e a via tinha sido renovada em maio do ano passado. O ministro espanhol dos Transportes, Oscar Puente, considerou que se tratou de um acidente "muito estranho" e o Governo decretou três dias de luto nacional em memória das vítimas. A investigação poderá demorar mais de um mês.
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