Família real dos Emirados Árabes Unidos beneficia de mais de 70 milhões de euros em subsídios agrícolas da UE

Apenas 0,5% dos maiores proprietários agrícolas da União Europeia captam atualmente 16% de todo o orçamento da PAC.

07 de maio de 2026 às 13:17
Mohammed bin Zayed Al Nahyan Foto: Evgenia Novozhenina/Pool Photo via AP
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A família real que governa os Emirados Árabes Unidos beneficiou de mais de 71 milhões de euros em subsídios agrícolas da União Europeia destinados a explorações agrícolas em Espanha, Itália e Roménia. A revelação resulta de uma investigação internacional conduzida pela organização DeSmog, em parceria com os meios espanhóis El Diario e romenos G4Media.

Segundo a investigação, empresas e subsidiárias ligadas à dinastia Al Nahyan receberam dezenas de milhões de euros ao abrigo da Política Agrícola Comum (PAC) entre 2019 e 2024. A PAC representa cerca de um terço do orçamento total da União Europeia, distribuindo aproximadamente 54 mil milhões de euros anuais para apoiar agricultores e zonas rurais do bloco europeu.

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A família Al Nahyan, que lidera os Emirados Árabes Unidos, é considerada a segunda família mais rica do mundo, com uma fortuna estimada em mais de 320 mil milhões de dólares (270 mil milhões de euros), proveniente sobretudo das reservas petrolíferas do país. No topo da hierarquia está o presidente dos Emirados e líder de Abu Dhabi, Sheikh Mohamed bin Zayed Al Nahyan.

O maior montante identificado foi atribuído à empresa agrícola romena Agricost, proprietária da maior exploração agrícola da União Europeia, com cerca de 57 mil hectares. Só em 2024, a Agricost recebeu 10,5 milhões de euros em pagamentos diretos da PAC, mais de 1.600 vezes acima do valor médio recebido por uma exploração agrícola europeia.

A Agricost foi adquirida em 2018 pelo grupo agrícola Al Dahra, ligado à família Al Nahyan, por cerca de 230 milhões de euros. Além da Roménia, a Al Dahra adquiriu várias empresas agrícolas em Espanha desde 2012, controlando mais de 8 mil hectares de terrenos agrícolas. Essas propriedades receberam mais de 5 milhões de euros em subsídios europeus entre 2015 e 2024.

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Em Itália, o fundo ADQ comprou, em 2022, a empresa frutícola Unifrutti, avaliada em cerca de 830 milhões de dólares. As explorações italianas da empresa terão recebido pelo menos 186 mil euros em subsídios europeus nos três anos seguintes à aquisição.

Nos últimos 15 anos, os Emirados Árabes Unidos expandiram fortemente os seus investimentos agrícolas em África, América do Sul e Europa, controlando atualmente cerca de 960 mil hectares de terras agrícolas em todo o mundo.

As revelações reacenderam críticas à forma como os subsídios da PAC são distribuídos. Como os pagamentos são calculados sobretudo com base na dimensão das terras agrícolas, os maiores proprietários acabam por receber uma fatia desproporcional dos apoios.

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Segundo dados citados na investigação, apenas 0,5% dos maiores proprietários agrícolas da União Europeia captam atualmente 16% de todo o orçamento da PAC.

Perante as críticas crescentes, a Comissão Europeia apresentou em julho de 2025 uma proposta de reforma da Política Agrícola Comum para o período entre 2028 e 2034. Entre as medidas previstas está a possibilidade de limitar os pagamentos diretos a 100 mil euros por agricultor e por ano.

Um porta-voz da Comissão Europeia afirmou que os apoios ao rendimento "devem ser melhor direcionados, incluindo através da redução e limitação dos pagamentos às maiores explorações agrícolas".

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