FAO precisa 23,5 milhões de euros face ao impacto catastrófico das cheias em Moçambique
FAO recorda que "semanas de chuvas intensas e inundações generalizadas" afetaram milhares de pessoas.
A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) necessita de 23,5 milhões de euros para assistir, até junho, 620 mil moçambicanos afetadas pela época chuvosa, face ao impacto catastrófico das cheias de janeiro na agricultura.
Num relatório divulgado esta segunda-feira, consultado pela Lusa, a FAO recorda que "semanas de chuvas intensas e inundações generalizadas", essencialmente durante o mês de janeiro, "afetaram gravemente a vida, os meios de subsistência e os serviços essenciais das pessoas no sul e centro de Moçambique"
Recorda igualmente que o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) estima que mais de 852 mil pessoas tenham sido afetadas na presente época das chuvas em Moçambique, desde outubro, "número que deverá aumentar para 1,1 milhões à medida que a situação continua a evoluir".
"As províncias de Gaza, Maputo e Sofala são as mais atingidas, sendo que Gaza representa, por si só, cerca de 75% da população total afetada. O impacto na agricultura foi catastrófico: quase 288 mil hectares de terras cultiváveis foram destruídas, 531 mil cabeças de gado foram perdidas e 249 barcos e 572 tanques de peixe foram levados pela corrente", aponta a FAO, sublinhando que mais de 365 mil agricultores foram impactados pelas cheias de janeiro.
Acrescenta que para as famílias afetadas "a perda não se resume a uma colheita perdida, mas à destruição de todos os seus meios de produção" e que "sem apoio imediato e urgente, o país corre o risco de uma crise secundária, marcada por uma insegurança alimentar aguda prolongada e por uma maior dependência da assistência humanitária".
Recorda igualmente que as inundações ocorreram durante a principal época agrícola no país, que vai de novembro a abril, "quando a maioria das culturas de sequeiro já tinham sido plantadas e se aproximavam de fases críticas de crescimento".
"Com a previsão de início das colheitas entre março e abril, a destruição das culturas ameaça a disponibilidade imediata de alimentos para as famílias e o rendimento sazonal. O risco continua elevado, dado que a estação das chuvas e ciclónica continua até abril, aumentando a probabilidade de novas inundações e impactos", aponta ainda o relatório da FAO.
Para apoiar 620 mil pessoas até junho, o dobro da estimativa feita em janeiro, quando foi identificado que 392 mil pessoas tiveram de sair de casa devido às cheias, a FAO aponta necessitar de 27,9 milhões de dólares (23,5 milhões de euros).
Essa dotação visa apoiar as famílias afetadas pelas inundações "para que restaurem a sua produção de alimentos e protejam os seus meios de subsistência baseados em sistemas agroalimentares, reconstruindo assim a resiliência e reduzindo o risco de lacunas prolongadas no consumo alimentar".
Envolve o fornecimento de sementes e ferramentas "para permitir a replantação imediata e a rápida recuperação da produção alimentar das famílias", disponibilizar apoio "à produção de hortícolas para fornecer culturas de crescimento rápido que possam ajudar a satisfazer as necessidades alimentares em poucas semanas", e ainda "implementar campanhas de saúde animal de emergência para reduzir os riscos de doenças pós-inundação e proteger o efetivo remanescente".
Também passa por "apoiar a recuperação da pesca artesanal, incluindo a substituição de equipamento essencial e a reposição de insumos" de forma a "reiniciar a produção e a geração de rendimentos".
Só as cheias de janeiro afetaram quase 725 mil pessoas, sobretudo no sul de Moçambique, com pelo menos 27 mortos. O número de óbitos confirmados na atual época das chuvas, iniciada em outubro e que vai até abril, já ascende a 215.
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