Filho de Bolsonaro denunciado pelo Ministério Público do Brasil
Flávio Bolsonaro é acusado de peculato, lavagem de dinheiro, apropriação indevida e organização criminosa.
O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou o senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro, por crimes de peculato, lavagem de dinheiro, apropriação indevida e organização criminosa, que terá cometido quando era deputado regional. A denúncia foi apresentada no dia 19 de outubro mas só esta quarta-feira foi divulgada.
Com mais de 300 páginas, a denúncia do MP atinge ainda outras 16 pessoas, entre elas Fabrício Queiroz, amigo de Jair Bolsonaro há 40 anos e que até final de 2018 era assessor de Flávio no Parlamento do Rio de Janeiro. Segundo o procurador-geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Flávio liderou uma organização criminosa criada para burlar os cofres públicos, e Fabrício era o principal operador do esquema.
De acordo com a acusação, o esquema montado por Flávio Bolsonaro no seu gabinete de deputado estadual consistia na contratação de assessores por altos salários, na obrigação destes devolverem a maior parte do que recebiam para um saco azul do parlamentar, num esquema conhecido no Brasil como ‘rachadinha’. O MP enumera uma infinidade de depósitos de assessores na conta de Fabrício no dia em que recebiam os ordenados, e esse dinheiro era depois transferido pelo motorista e segurança de Flávio para a conta deste em pequenas quantias, para não chamar a atenção.
Descoberto por acaso em 2018 durante uma investigação do Fisco contra outros deputados, o esquema chamou a atenção devido às movimentações bancárias atípicas do filho do presidente, que comprou em dinheiro vivo uma loja de chocolates num centro comercial do Rio e vários apartamentos, que revendia logo de seguida com um lucro altíssimo. Esta quarta-feira, Flávio Bolsonaro classificou a denúncia como “um erro bizarro” e “desprovida de provas”.
Testemunho incriminador Num depoimento contundente à Justiça, Luiza Souza Paes, que constava como assessora de Flávio Bolsonaro no Parlamento fluminense, contou que, na verdade, nunca lá trabalhou, mas que todos os meses era obrigada a devolver a Fabrício Queiroz mais de 90% do ordenado.
Fugido à Justiça
Em janeiro de 2019, um mês após a descoberta do esquema, o ex-assessor Fabrício Queiroz desapareceu sem deixar rasto. Só foi localizado e preso em junho passado, na casa de campo de Frederick Wasseff, advogado de Jair Bolsonaro.
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