Filho de Bolsonaro torna-se líder da bancada do partido presidencial
Mudança aconteceu após as constantes discórdias que levaram vários parlamentares trocarem de lado na Câmara dos Deputados.
Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, tornou-se esta segunda-feira novo líder da bancada do partido presidencial, o Partido Social Liberal, PSL, na Câmara dos Deputados, após parlamentares críticos ao pai dele mudarem de lado e resolverem apoiá-lo. Bolsonaro tentava há duas semanas tornar o filho líder para reduzir resistências e críticas da bancada do seu próprio partido ao governo, mas nas duas tentativas anteriores tinha sido derrotado.
Quarta-feira passada, o próprio presidente passou parte do dia no palácio presidencial a ligar para deputados do PSL, pelo qual ele e o filho se elegeram, pedindo apoio para Eduardo, mas sem conseguir o número suficiente de votos. Como o PSL tem 53 deputados e a regra da Câmara dos Deputados estipula que o líder tem de ter o apoio de ao menos metade mais um, eram necessárias as assinaturas de 27 parlamentares do partido para destituírem o agora ex-líder, Delegado Waldir, que é crítico à atuação do presidente da república.
No fim de semana, ministros, os filhos de Bolsonaro e aliados fizeram pressão sobre vários deputados até agora críticos à atuação do chefe de Estado e conseguiram que quatro deles passassem para a ala bolsonarista. Com isso, os pró-Bolsonaro, que antes não tinham conseguido mais do que 24 assinaturas para tentar eleger Eduardo, atingiram as 28, uma a mais do que necessário, e protocolaram o pedido na direção do parlamento, que aceitou a mudança de líder após conferir as assinaturas.
Waldir, que incomodava o governo com as suas críticas e chegou a dizer que Jair Bolsonaro é "um vagabundo" e que tinha gravações que poderiam implodir o presidente, ao início da tarde desta segunda-feira reconheceu a derrota. E, num tom bem mais civilizado do que o usado ao longo da semana passada, afirmou estar à disposição do novo líder para fazerem uma transição harmoniosa da liderança e dos assuntos em tramitação.
A troca de Waldir por Eduardo Bolsonaro insere-se numa campanha desencadeada duas semanas atrás por Jair Bolsonaro para tentar afastar o atual presidente do PSL, Luciano Bivar, e assumir o controle total do partido, o que até agora não tinha dado certo. Bolsonaro quer ter o poder de indicar os candidatos do partido às eleições municipais do ano que vem, e, o que o próprio Waldir afirmou há dias ser o verdadeiro motivo da ofensiva, ter o controle dos muitos milhões que o Partido Social Liberal vai receber do fundo eleitoral.
A ascensão de Eduardo Bolsonaro a líder do PSL no parlamento é uma vitória pontual de Jair Bolsonaro mas tem um certo sabor a derrota. O presidente indicou Eduardo há dois meses para novo embaixador do Brasil nos EUA, chegou a pedir e conseguir o apoio de Donald Trump para esse tão sonhado projecto, mas foi forçado a desistir ante a forte resistência ao nome do seu filho no Senado, que tem a última palavra na nomeação de diplomatas, e Eduardo ganhou a liderança do partido como uma espécie de prémio de consolação.
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