Filhos da jornalista maltesa assassinada pedem demissão do primeiro-ministro

Daphne Caruana Galizia foi assassinada na segunda-feira quando explodiu uma bomba instalada na própria viatura.

19 de outubro de 2017 às 11:45
Daphne Caruana Galizia, homicidio, Panama Papers, bomba, jornalista Foto: REUTERS
Daphne Caruana Galizia, homicidio, Panama Papers, bomba, jornalista Foto: REUTERS
Daphne Caruana Galizia, homicidio, Panama Papers, bomba, jornalista Foto: REUTERS

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Os filhos da jornalista maltesa, Daphne Caruana Galizia, assassinada na segunda-feira, pediram hoje a demissão do primeiro-ministro de Malta e criticaram a falta de mudanças na justiça face a uma situação "desesperada" no país.

"Não estamos interessados numa justiça sem mudanças. Não nos interessa uma condenação penal apenas para os membros do governo beneficiarem com a morte da nossa mãe. Para nos enganarem ao dizerem que se fez justiça", afirmam os filhos da jornalista num documento divulgado através da rede social Facebook.

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O texto assinado por Matthew, Andrew e Paul, filhos da jornalista de investigação, sublinham que a justiça tem de ir "mais além" da responsabilidade penal defendendo a instauração de uma política de correção, integridade nos serviços públicos, uma sociedade aberta e livre que possa contribuir para alterar a "situação desesperada" em que se encontra o país.

A jornalista que investigava casos de corrupção com base nos documentos revelados no processo "Papéis do Panamá" foi assassinada na segunda-feira quando explodiu uma bomba instalada na própria viatura.

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Para os familiares da jornalista o governo falhou quando a Daphne Caruana estava viva e vai falhar depois da morte.

"As pessoas que durante muito tempo tentaram silenciá-la não podem ser os mesmos a fazer-lhe justiça", acrescentam os filhos que receiam também que a divulgação da identidade do autor do atentando não passe de uma nota de rodapé na história de um país que "foi desmantelado e devorado pelo crime e pela corrupção".

Nesse sentido, pedem a demissão do primeiro-ministro Joseph Muscat que deve, assim, demonstrar "responsabilidade política".

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"Deve renunciar porque não defendeu as nossas liberdades fundamentais, pelo nascimento de uma sociedade marcada pelo medo, pela desconfiança, pelo crime e pela corrupção. Porque ajudou a bloquear financeiramente a nossa mãe, que a desumanizou de uma forma tão brutal que ela já não se sentia em segurança quando caminhava pelas ruas", acusam.

Muscat ofereceu uma recompensa por informações sobre o autor do crime e pediu auxílio aos países europeus porque suspeita que o esclarecimento do caso "está fora" de Malta.

Autoridades policiais holandesas, italianas e norte-americanas estão envolvidas na investigação sobre o atentado.

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A edição de hoje do jornal italiano Corriere della Sera, que cita fontes policiais, indica que os investigadores estão a ponderar 42 hipóteses após a consulta aos arquivos gravados no computador pessoal da jornalista e que já foram desencriptados por especialistas.

O jornal destaca a "pista líbia" por causa do explosivo utilizado no atentado, Semtex, e sobretudo pela investigação da jornalista sobre a Líbia e o financiamento das milícias armadas que operam no país.

Por outro lado, o jornal La Repubblica noticia que os investigadores admitem o envolvimento da máfia no assassinato porque a jornalista estava a estabelecer ligações entre redes de tráfico de drogas e de branqueamento de capitais e Malta, envolvendo alegadamente membros do Executivo de La Valleta.

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