Filme inédito mostra suicidas do 11/S
O jornal britânico ‘The Sunday Times’ revelou ontem, na sua edição ‘on-line’, as primeiras imagens de vídeo nas quais surge o líder dos atentados de 11 de Setembro. Num dos momentos da filmagem, captada em Janeiro de 2000 num campo de treino da al-Qaeda junto a Kandahar, Afeganistão, Mohammed Atta surge ao lado de Ziad Jarrah, o piloto do avião que se despenhou na Pensilvânia antes de atingir o alvo. O vídeo, sem som, resolve o mistério do paradeiro de Atta, desde o seu desaparecimento da Alemanha, onde organizou e liderou a chamada ‘célula de Hamburgo’, até ao momento em que atacou o território americano.
O filme – e as fotos dele extraídas e publicadas na edição em papel – permite ver um Atta bem diferente do revelado nas fotografias até agora conhecidas. O homem que levou um avião a embater na torre norte do World Trade Center surge de barba, com aspecto limpo e cuidado e com um sorriso rasgado no rosto que só se esvai quando lê o ‘testamento’ de mártir. Nada nos gestos e na atitude indicia que está a preparar uma missão que o levará para a morte.
As datas visíveis no canto da imagem confirmam que o vídeo foi filmado a 18 de Janeiro de 2000. Dez dias antes foi filmado outro vídeo com Osama bin Laden a discursar perante uma plateia onde surge outro dos envolvidos no 11 de Setembro, Ramzi Binalshibh, o homem que não chegou a embarcar no dia dos atentados e foi capturado pelos EUA. No meio da multidão está ainda o guarda-costas Nasir Ahmad al-Bahri (na foto com turbante negro), ou Abu Jandal, encarregado de matar o líder da al-Qaeda em caso de captura. Libertado da prisão no Iémen em 2003, explicou: “Tinha a minha própria arma e tinha outra especial para usar no xeque Osama bin Laden caso fosse atacado.”
Uma vez que o vídeo não tem som, vários especialistas em leitura labial foram contactados para tentar compreender o teor da derradeira mensagem de Atta e também do discurso de Laden, mas até agora os esforços foram em vão.
PLANO DA CIA ‘CHUMBADO’
O campo onde foram captadas as imagens, Tarnak Farm, foi o reino pessoal de Laden dentro do Afeganistão. A CIA sabia disso e em 1998 elaborou um plano para o capturar. Mas o facto de haver mulheres e crianças a viver no local e o consequente risco de inúmeras vítimas civis levou Washington a nunca dar carta branca ao projecto.
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