Flávio Bolsonaro cai seis pontos na disputa presidencial brasileira após fuga de mensagens e Lula dispara

Flávio Bolsonaro está agora com 41,8% das intenções de voto dos brasileiros contra 48,9% do atual presidente, Lula da Silva.

Flávio Bolsonaro está agora com 41,8% das intenções de voto dos brasileiros contra 48,9% do atual presidente, Lula da Silva. Foto: Fernando Bizerra/EPA
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O senador Flávio Bolsonaro, que até agora aparecia empatado com Lula da Silva na disputa para as presidenciais brasileiras de Outubro e tinha até uma ligeira vantagem numérica sobre o atual presidente, caiu seis pontos em relação ao adversário na sondagem Atlas Bloomberg divulgada esta terça-feira. Desde que foi indicado pelo próprio pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, como candidato à presidência, Flávio vinha num crescendo mês a mês e já ameaçava claramente o projeto de reeleição de Lula, mas o vazamento de conversas dele com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso por um gigantesco esquema de burlas no sistema financeiro, mudou tudo.

Segundo o levantamento do Atlas Bloomberg divulgado esta terça-feira, Flávio Bolsonaro, de 44 anos, está agora com 41,8% das intenções de voto dos brasileiros numa eventual segunda volta. Na sondagem anterior do mesmo instituto, divulgada em Abril, Flávio ostentava 47,8%, e a sua campanha parecia imparável.

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Lula da Silva, de 80 anos, que tenta o seu quarto mandato presidencial, tem neste momento, segundo o Atlas, 48,9% das intenções de voto, sete pontos à frente do filho de Bolsonaro. Desde o início dos levantamentos sobre a corrida presidencial, Lula nunca tinha tido uma vantagem tão confortável sobre Flávio.

Esta sondagem foi a primeira depois de na semana passada o site The Intercept Brasil ter divulgado mensagens escritas e de áudio de Flábio para o banqueiro, preso em Novembro pelo que tem sido chamada a maior fraude contra o sistema financeiro já descoberta no Brasil. Nas mensagens, Flávio cobra de Vorcaro o pagamento de vários milhões de euros supostamente para financiar o filme “Dark Horse”, sobre a vida de seu pai, e o site ainda acrescenta que os montantes milionários recebidos até essa altura foram enviados para os EUA, onde vive o irmão do candidato presidencial, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

Nas mensagens, vinca Flávio na sua defesa, não há qualquer indício de crime, tratou-se de uma relação comercial em busca de um investidor para o filme, mas os eleitores parecem não ter entendido da mesma forma. Até à fuga das mensagens, Flávio, como quase todos os outros políticos brasileiros, negava conhecer Daniel Vorcaro, que se tornou uma figura altamente tóxica após a prisão e que tinha forte influência na política e até na justiça através de subornos.

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Para os coordenadores da campanha do senador, os seis pontos de queda agora revelados pelo Atlas Boomberg são significativos mas não são uma hecatombe, os assessores do senador acreditam que, se se mantiver essa diferença para Lula, o filho de Jair Bolsonaro assim mesmo tem condições de passar para a segunda volta e vencer. Mas há fortes temores de que dentro de alguns dias, com novas revelações e com mais brasileiros a tomarem conhecimento do vazamento e das ligações entre Flávio e o banqueiro, a quem ele chamava de “meu irmãozinho”, a queda possa acentuar-se e devastar de vez as pretensões presidenciais do clã Bolsonaro. (FIM).

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