Flávio Bolsonaro tenta desmontar "marketing do medo" de Lula e nega pretender restringir direitos

“O meu concorrente está a promover um verdadeiro terrorismo", disse o candidato do Partido Liberal.

17 de outubro de 2026 às 16:43
Flávio Bolsonaro Foto: Bruna Prado/AP
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Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), vencedor da primeira volta das presidenciais brasileiras no passado dia 4 de outubro e que disputa com Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), a segunda, no próximo dia 25, tentou na noite desta sexta-feira desmontar o que já é chamado “marketing do medo” promovido pelo adversário para tentar reduzir a desvantagem e conseguir ser eleito. Em longa entrevista à TV Globo, um dia após o rival também ter sido entrevistado, o filho de Jair Bolsonaro negou as acusações de Lula de que, se for eleito, restringirá drasticamente direitos e criticou a estratégia do medo adotada pelo atual presidente e candidato a mais uma reeleição.

“O meu concorrente está a promover um verdadeiro terrorismo, dizendo que eu acabaria com as reformas, com os funcionários públicos, que privatizaria o Banco do Brasil, Caixa Económica Federal e a Petrobrás", declarou Flávio, negando afirmações massivamente repetidas por Lula e pelos seus aliados de que pretende impor uma vaga de privatizações e acabar ou reduzir direitos.

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Na entrevista, Flávio asseverou que não pretende acabar com as duas folgas semanais dos trabalhadores por conta de outrem, direito aprovado pelo Congresso esta semana, e negou que pretenda acabar com o reajuste do ordenado mínimo nacional acima da inflação ou reduzir o valor de reformas e pensões. Ele disse não pretender fazer uma onda de privatizações selvagens, que, segundo Lula da Silva, incluiriam o Sistema Único de Saúde (equivalente ao Sistema Nacional de Saúde português), e garantiu que não pretende dificultar o acesso de novos beneficiários ao Bolsa Família, o principal programa social do país.

Derrotado na primeira volta por Flávio, Lula da Silva adotou na campanha para a segunda uma estratégia de levar medo aos eleitores indecisos ou que votaram no senador, avançando com assustadoras previsões de que o adversário levaria o Brasil para uma ditadura de extrema-direita e para o caos económico absoluto. Na entrevista, Flávio respondeu, afirmando que a sua principal proposta para a economia é tirar Lula do governo e pôr fim à corrupção e ao esbanjamento do dinheiro público.

Na primeira volta, e contra as previsões de todas as sondagens, Flávio Bolsonaro ficou em primeiro lugar, com 47% dos votos, contra 45% de Lula. As últimas sondagens divulgadas para esta segunda volta mostram que se mantém um grande equilíbrio entre ambos, com uma ligeira vantagem para Flávio, com 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula, e pelo menos um instituto, o Poderdata, estimou um empate absoluto, com 50% dos votos válidos para cada um. 

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