Flotilha denuncia "violência física e sexual generalizada" contra ativistas
Organização sublinhou que agentes das forças de segurança de Israel são "responsáveis por crimes".
A Flotilha Global Sumud denunciou esta quinta-feira agressões sexuais e ferimentos resultantes de violência física contra ativistas detidos pelas autoridades israelitas, após intercetarem em águas internacionais os dez barcos da mais recente missão humanitária para Gaza.
Numa conferência de imprensa virtual, o porta-voz da organização, Bader Alnoaimi, detalhou a situação em que se encontram os ativistas, referindo que as informações provenientes do terreno apontam para "violência física e sexual generalizada e sistemática" perpetrada por Israel contra os participantes na flotilha.
"Foram reportados vários ferimentos, alguns suficientemente graves para exigir hospitalização, e sabemos também, desde o momento da interceção, que pelo menos três participantes ficaram feridos em consequência do uso de armas não-letais disparadas contra os seus barcos durante a interceção", no mar Mediterrâneo, afirmou.
A Flotilha Global Sumud denunciou a operação de abordagem israelita e "o sequestro" dos ativistas, sublinhando que, nesta operação, seis barcos foram atingidos por fogo israelita e um foi abalroado por uma embarcação militar.
Como próximos passos, Alnoaimi disse que a organização iniciou processos judiciais em vários países, entre os quais Turquia, Polónia, Marrocos, Itália, Indonésia, Espanha e França.
Em França, o processo pretende denunciar a "cumplicidade e inação" do Estado francês na proteção dos seus cidadãos que seguiam na missão humanitária a caminho da Faixa de Gaza.
O porta-voz indicou ainda que o processo judicial se destina também a responsabilizar sete polícias já identificados da prisão de Ktziot, para onde os ativistas internacionais foram levados.
A Flotilha Global Sumud sublinhou que esses agentes das forças de segurança de Israel são "responsáveis por crimes" e que foram apresentadas queixas nos países relevantes "para exigir mandados de detenção contra estas pessoas".
"Temos mais de 30 equipas em 30 países diferentes, o que nos dá a oportunidade de garantir que podemos procurar a responsabilização a nível nacional em qualquer país, e também a nível internacional e em instituições internacionais, como o Tribunal Internacional de Justiça ou tribunais regionais, como o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos ou o Tribunal Africano dos Direitos Humanos", explicou o porta-voz.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt