FMI reduz previsões de crescimento no Médio Oriente devido à guerra

Relatório revê um crescimento de 1,1% em 2026, abaixo dos 3,2% projetados para 2025.

14 de abril de 2026 às 15:19
Irão, petróleo, sanções, ameaça, Golfo Pérsico, produção Foto: d.r.
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O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu esta terça-feira drasticamente as previsões de crescimento para a região do Médio Oriente e Norte da África, devido à guerra entre Irão, Estados Unidos e Israel, que se estendeu ao Golfo Pérsico.

No relatório Perspetivas da Economia Mundial, a instituição prevê um crescimento de 1,1% em 2026, abaixo dos 3,2% projetados para 2025, visto que a região sofreu "o impacto mais direto do conflito". A projeção anterior, publicada em janeiro, era de um crescimento de 3,9%.

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Após a ofensiva israelita e americana contra o Irão, iniciada em 28 de fevereiro, Teerão retaliou atacando bases americanas no Golfo, bem como infraestrutura como refinarias de petróleo, complexos de gás e centrais.

O bloqueio do Estreito de Ormuz, uma rota marítima crucial para a exportação de hidrocarbonetos, também está a privar as monarquias da região de receitas vitais.

A desaceleração esperada nesses países varia "dependendo da extensão dos danos à infraestrutura de energia e transporte, bem como do grau de dependência do Estreito de Ormuz e da disponibilidade de rotas de exportação alternativas", destaca o FMI.

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A desaceleração deverá, portanto, ser "mais acentuada no Bahrein, Irão, Iraque, Kuwait e Catar, e menos significativa em Omã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos", acrescenta.

O Irão, que sofreu semanas de intensos bombardeamentos, deverá ver o Produto Interno Bruto (PIB) contrair 6,1% este ano (em comparação com a estimativa anterior de crescimento de 1,1%), enquanto no Catar, cujo primeiro local de produção de gás natural liquefeito foi gravemente danificado, a atividade económica deverá cair 8,6% em 2026.

O PIB do Iraque deverá cair 6,8% este ano.

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A Arábia Saudita, maior exportadora mundial de petróleo bruto, está em melhor situação graças ao seu acesso ao Mar Vermelho, o que lhe permite contornar o Estreito de Ormuz. O crescimento da maior economia da região deverá atingir 3,1% em 2026, em comparação com os 4,5% previstos anteriormente.

Após este ano, espera-se uma recuperação em 2027 em toda a região, "pressupondo que a produção de energia e o transporte retornem à normalidade nos próximos meses", segundo o FMI.

Contudo, este cenário otimista poderá ser revisto "caso o conflito continue e a extensão dos danos seja reavaliada", alerta a organização.

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Os países importadores da região são afetados indiretamente, principalmente pelo aumento dos preços da energia e de outras 'commodities' básicas, de acordo com a organização sediada em Washington. No Egito, o crescimento deverá atingir 4,2% em 2026 (em vez dos 4,7% previstos anteriormente).

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