Força Operacional portuguesa vai continuar à procura de mais sobreviventes dos sismos na Venezuela
Porta-voz da missão da Costa Rica, Ricardo Árias, afirmou que o resgate de Hernán Gil foi "um milagre".
A Força Operacional Conjunta (FOCON) portuguesa vai continuar as operações de busca e salvamento na Venezuela e acredita que conseguirá salvar mais sobreviventes dos sismos da semana passada, disse o seu comandante à agência Lusa.
"Nós acreditámos sempre até o último minuto. E, portanto, qualquer sinal que ainda venha a surgir, quer através da utilização de equipamentos tecnológicos, quer através da utilização dos cães, nós vamos investir com a mesma força, com a mesma vontade e com o mesmo espírito do que o que fizemos aqui", disse.
Hugo Santos falava à agência Lusa em Playa Grande, na cidade de La Guaira, ao finalizar com sucesso o resgate de Hernán Gil, de 43 anos, que foi retirado dos escombros ao fim de oito dias soterrado e depois de três dias de uma operação que contou com socorristas, militares e paramédicos de vários países, incluindo Portugal, Costa Rica, El Salvador e México.
"Felizmente, encerrámos esta operação, com o objetivo com que iniciámos, que era trazer este cidadão venezuelano para junto da [sua] família nas melhores condições possíveis. Foi uma operação muito difícil, uma operação muito complexa, em termos da estrutura do próprio edifício", explicou precisando que desde que o local foi marcado foram ultrapassadas as 70 horas.
Hugo Santos frisou que estiveram perante "um cenário de extrema complexidade em termos de espaços confinados e muita estrutura danificada em cima da vítima".
"Tivemos que ter aqui um trabalho de avaliação permanente em termos de segurança da estrutura. Felizmente, graças à competência e ao profissionalismo e, acima tudo, ao empenho e ao espírito e vontade de fazer acontecer, chegámos agora a este momento com este desfecho, que era aquele que acreditávamos desde o início", disse.
Questionado sobre a decisão de outras equipas que estiveram no sítio afetado antes da chegada da FOCON e optaram por ir embora, considerou que "isso agora é o menos importante".
"O que é importante é que, a determinado momento, conseguimos encontrar aqui uma forma de integrar as equipas e de fazer um trabalho conjunto" que permitiu salvar uma pessoa.
O porta-voz da missão da Costa Rica, Ricardo Árias, afirmou que o resgate de Hernán Gil foi "um milagre".
A equipa costa-riquenha detetou ainda no domingo que havia um sobrevivente no local, mas foi graças a um "sensor de alta tecnologia" dos portugueses que foi possível identificar "com precisão" a sua localização sob os escombros.
"Isso deu-nos ímpeto e vontade para continuar a trabalhar", comentou, afirmando que os operacionais se sentem "honrados por trabalhar lado a lado com muita gente".
Árias destacou o "trabalho importante" com Portugal, que "trouxe um impulso quando muitos já tinham descartado a possibilidade de retirar" o sobrevivente.
O sismo duplo, de 7,2 e 7,5 graus na escala de Richter, que abalou a Venezuela em 24 de junho, causou pelo menos pelo menos 2.295 mortos e 11.267 feridos, segundo o mais recente balanço oficial.
O último balanço divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal dá conta de 79 mortos de origem portuguesa, 69 dos quais tinham também nacionalidade venezuelana, entre os quais 14 crianças e 65 adultos, e ainda 64 desaparecidos.
Segundo a ONU, um total de 50 mil pessoas estão desaparecidas.
Vários países, incluindo Portugal e outros Estados da União Europeia, enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela.
A base de operações da missão portuguesa de resposta aos sismos está sediada em Catia la Mar, em La Guaira, uma zona de grande concentração de portugueses e lusodescendentes.
Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros português, pelo menos 60 portugueses e lusodescendentes morreram e 87 estão desaparecidos.
Os sismos ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.
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