França e Japão lançam novo método de criptografia usando ADN

Permite gerar e partilhar chaves aleatórias para codificar mensagens, independentemente da distância entre remetente e destinatário.

01 de abril de 2026 às 17:27
França e Japão lançam novo método de criptografia usando ADN Foto: Cavan Images/iStockphoto
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Pela primeira vez, uma mensagem escrita em código usando criptografia baseada em ADN foi transmitida com sucesso entre a França e o Japão, durante a visita oficial ao Japão do presidente francês, Emmanuel Macron.

A nova forma de transferir informações em segredo resulta do desenvolvimento de uma abordagem de criptografia baseada em ADN - moléculas que contêm informação genética - que permite gerar e partilhar chaves aleatórias para codificar mensagens, independentemente da distância entre remetente e destinatário.

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Testada esta quarta-feira pela primeira vez em condições reais, durante a visita oficial, esta nova abordagem resultou de uma colaboração entre cientistas do centro francês de pesquisa científica (CNRS), das universidades de Tóquio, de Limoges,IMT Atlantique e da Escola Superior de Física Industrial e Química de Paris (ESPCI).

O novo método permite compartilhar uma chave de criptografia -- uma sequência de números 0 e 1 -- entre dois locais distantes, que pode ser usada para esconder um texto, uma imagem ou um som.

Usando essa chave, uma fotografia do laboratório e a pré-publicação científica da investigação foram criptografadas em França e descriptografadas no Japão, com a mesma chave, e em troca, uma selfie de Macron ao lado do chefe do CNRS e de um dos investigadores foi criptografada e enviada a Paris para ser descriptografada.

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O novo sistema baseia-se na utilização de sequências sintéticas de Ácido Desoxirribonucleico (ADN), compostas por combinações de quatro bases químicas, que podem ser geradas aleatoriamente, duplicadas e distribuídas entre as partes que desejam comunicar-se, explicou o CNRS.

Essas sequências, acrescentou, permitem a criação de chaves criptográficas idênticas em ambas as extremidades, pouco antes da transmissão da mensagem, através da leitura com máquinas de sequenciamento.

De acordo com os investigadores, a nova abordagem facilita a aplicação prática da cifra de Vernam, também conhecida como One-Time Pad (OTP) ou "chave de uso único", um método de criptografia reconhecido como a única técnica de encriptação teoricamente indecifrável.

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Além disso, este novo sistema permite a geração de chaves compartilhadas independentemente da distância, abrindo caminho para serem usadas até em comunicações espaciais.

Como existem apenas duas cópias de cada sequência, uma para o remetente e outra para o destinatário, qualquer tentativa de duplicação ou manipulação geraria anomalias detetáveis, impedindo o uso de chaves comprometidas, segundo o CNRS.

Devido às suas características, segundo os investigadores, esta tecnologia pode vir a servir para proteger comunicações particularmente sensíveis, como trocas diplomáticas, militares ou científicas, e em ambientes críticos onde a inviolabilidade dos dados é fundamental.

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