‘Frente republicana’ varre extrema-direita francesa e adia sonho de poder de Le Pen

Aliança de esquerda foi o bloco mais votado e pode formar Governo minoritário.

08 de julho de 2024 às 01:30
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O ‘cordão sanitário’ contra a extrema-direita voltou a funcionar em França. A aliança de esquerda Nova Frente Popular venceu este domingo a segunda volta das legislativas e, com a ajuda do bloco centrista de Emmanuel Macron, que ficou em segundo lugar, varreu a União Nacional para a terceira posição. Apesar do alívio em França e na Europa, o país prepara-se para um período conturbado, com um Parlamento bloqueado e instável e uma desconfortável coabitação entre o Presidente Macron e a esquerda.

De acordo com os resultados oficiais, a Nova Frente Popular, que reúne socialistas, verdes e a extrema-esquerda de Jean-Luc Mélenchon, entre outros, vai eleger 182 deputados, longe dos 289 n

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ecessários para a maioria absoluta. Na segunda posição ficou o bloco centrista Ensemble (Juntos), de Macron, com 168 lugares, seguido pela União Nacional e aliados, no terceiro lugar, com 143 deputados, bem longe dos 230 a 280 projetados após a primeira volta, a 30 de junho. 

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A divulgação das primeiras projeções foi recebida com gritos de alegria e lágrimas de alívio nas sedes eleitorais dos partidos que fazem parte da Nova Frente Popular. Pelo contrário, na sede da União Nacional, o silêncio era sepulcral e os olhos não conseguiam disfarçar a incredulidade.

A surpreendente reviravolta foi conseguida graças à ‘frente republicana’ criada pelos partidos da esquerda e do centro, que entre si retiraram mais de 200 candidatos em todo o país para facilitar a vitória do candidato mais bem posicionado para bater a extrema-direita, numa repetição musculada do ‘voto tático’ usado nas últimas presidenciais para impedir a vitória de Marine Le Pen.

Face à vitória da esquerda, o primeiro-ministro, Gabriel Attal, anunciou este domingo a sua demissão, cabendo agora ao Presidente, Emmanuel Macron, encarregar o partido mais votado de formar Governo. Será um Executivo minoritário e de capacidade política limitada, já que tanto os líderes da Nova Frente Popular como o bloco centrista de Macron rejeitam qualquer possível entendimento parlamentar. Isto para não falar que os partidos que fazem parte da nova coligação de esquerda têm agendas próprias e prioridades distintas entre si, o que dificultará ainda mais a governação.

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Esquerda "suspira de alívio" e exige governar

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Aliança da desonra

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O cabeça de lista da União Nacional (RN), Jordan Bardella, arrasou no seu discurso a "aliança da desonra entra Macron e a extrema-esquerda", que diz ter criado um "partido único" que privou milhões de franceses de terem o Governo que desejavam e arrasta o país para a incerteza e a instabilidade governativa.

"Vitória adiada"

A líder da extrema-direita, Marine Le Pen, garantiu que é apenas uma questão de tempo até à vitória da União Nacional. "A maré está a subir. Ainda não foi o suficiente, mas vai continuar a subir e a nossa vitória apenas foi adiada", afirmou, acrescentando que a posição do PR, Emmanuel Macron, se tornou "insustentável".

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