Friedrich Merz defende em Pequim relação mais "justa" com a China
Chefe do Governo chinês apelou à Alemanha para trabalhar no sentido de "defender conjuntamente o multilateralismo e o livre-comércio".
O chanceler alemão, Friedrich Merz, defendeu esta quarta-feira em Pequim uma cooperação mais "justa" com a China, no arranque de uma visita ao principal parceiro comercial da Alemanha, cada vez mais visto no seu país como um forte concorrente.
"Temos preocupações muito concretas relativamente à nossa cooperação, que queremos melhorar e tornar mais justa", afirmou Merz no início de conversações com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, no Grande Palácio do Povo, no centro de Pequim.
O chefe do Governo chinês apelou à Alemanha para trabalhar no sentido de "defender conjuntamente o multilateralismo e o livre-comércio".
Merz, que chegou a meio da manhã com uma ampla delegação empresarial, deverá reunir-se e jantar esta noite com o Presidente chinês, Xi Jinping, naquela que é a sua primeira visita à China desde que assumiu funções, em 2025.
O chanceler afirmou ver "um grande potencial de crescimento" para duas das maiores economias do mundo, sublinhando, no entanto, a necessidade de um diálogo "aberto".
Antes da partida, Merz indicou que pretendia abordar vários temas de divergência, como regras de concorrência, acesso aos mercados e segurança no abastecimento de terras raras, matérias-primas essenciais para muitas empresas alemãs e cuja produção é dominada pela China.
O responsável alemão quer também discutir a guerra na Ucrânia, contando com as boas relações de Pequim com Moscovo. "A voz de Pequim é ouvida, mesmo em Moscovo", declarou.
Merz é o mais recente dirigente estrangeiro a deslocar-se a Pequim, num momento em que o Presidente norte-americano, Donald Trump, tem agitado a ordem internacional com novas tarifas e a revisão de antigas alianças.
"Hoje, a China tornou-se incontornável para todos", afirmou Merz, na terça-feira.
Nos últimos três meses, passaram por Pequim os líderes do Reino Unido, Finlândia, Canadá, Coreia do Sul, Irlanda ou França.
Ao mesmo tempo, a indústria alemã enfrenta crescente pressão da concorrência chinesa. A maior economia europeia, fortemente dependente das exportações e durante anos sustentada pelo vasto mercado chinês, viu as vendas dos seus construtores automóveis diminuírem significativamente na China e enfrenta cada vez mais competição tecnológica chinesa a nível global.
Tal como outros parceiros da União Europeia, a Alemanha manifesta preocupação com a expansão dos veículos elétricos chineses e com o escoamento para a Europa dos excedentes de produção da China.
Berlim alerta ainda para o uso, por parte de Pequim, de semicondutores e terras raras como instrumentos na disputa comercial global, como aconteceu em 2025, afetando severamente as cadeias de abastecimento, nomeadamente da indústria automóvel.
"Queremos e devemos adotar uma política de redução de riscos, não apenas em relação à China", afirmou Merz, sublinhando, contudo, que seria um erro associar essa estratégia a uma dissociação económica.
A Alemanha e outros países criticam as restrições de acesso ao mercado chinês, os subsídios considerados indevidos e a alegada subvalorização da moeda chinesa.
Xi Jinping tem apresentado a China como um parceiro fiável e defensor do multilateralismo e do livre-comércio, promovendo uma relação de "ganhos para ambos" baseada no "respeito mútuo".
Em 2025, a China travou uma intensa disputa comercial e diplomática com os Estados Unidos sob a presidência de Trump, cuja deslocação a Pequim está prevista para o final de março.
Merz viajou acompanhado pelos presidentes executivos da Volkswagen, BMW e Mercedes. Na quinta-feira, assistirá à apresentação de veículos autónomos pela Mercedes e deslocar-se-á depois a Hangzhou, polo tecnológico, para visitar o grupo de robótica Unitree e a empresa Siemens Energy.
No ano passado, o défice comercial da Alemanha com a China aumentou mais de 22 mil milhões de euros, atingindo cerca de 89 mil milhões de euros.
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