Gigantesca massa de gelo bloqueia a rota para o Evereste pouco antes da época alta
Autoridades afirmam que qualquer movimento da formação de gelo, estimada em milhões de toneladas, pode desencadear uma avalanche num dos troços mais perigosos da ascensão.
Um bloco de gelo instável, com milhões de toneladas, suspenso sobre a Cascata de Gelo de Khumbu, no Nepal, atrasou os preparativos para a rota principal do Monte Evereste, quando o país espera um grande fluxo de alpinistas.
Os "médicos da cascata de gelo", a equipa especializada de sherpas responsável pela fixação de cordas e escadas num troço crítico, estão a monitorizar a situação há duas semanas, mas ainda não conseguiram iniciar totalmente a construção da rota devido ao risco.
As autoridades afirmam que qualquer movimento da formação de gelo, estimada em milhões de toneladas, pode desencadear uma avalanche num dos troços mais perigosos da ascensão.
"A parede de gelo suspensa é enorme e instável. Não pode ser removida, por isso estamos à espera e a avaliar a situação", explicou na sexta-feira à agência Efe Himal Gautam, porta-voz do Departamento de Turismo do Nepal, o organismo autorizado a emitir permissões de escalada.
O Governo convocou uma reunião com múltiplas partes interessadas na quinta-feira para tratar do atraso. Na reunião, foi decidido enviar peritos nacionais e internacionais para realizar inspeções aéreas e terrestres e apresentar um relatório no prazo de dois dias.
Após a conclusão, as autoridades estudarão as medidas de contingência, adiantou Gautam.
Até quinta-feira, o Nepal tinha emitido 410 permissões para o Evereste, aproximando-se do recorde de 479 permissões emitidas em 2023.
Os operadores de expedições alertam que um atraso prolongado na abertura da rota pode comprimir o horário de escalada e aumentar o congestionamento tanto na cascata de gelo como na "zona da morte", acima dos 8.000 metros, onde os níveis de oxigénio são criticamente baixos.
"O risco não vem apenas da cascata de gelo, mas também de possíveis estrangulamentos mais tarde na temporada", realçou à Efe Rishi Bhandari, secretário-geral da Associação de Operadores de Expedição.
A Cascata de Gelo de Khumbu, localizada acima do Campo Base do Evereste, é um glaciar em constante movimento, repleto de fendas e gigantescos blocos de gelo.
Os alpinistas atravessam-na geralmente à noite ou de manhã cedo, quando as temperaturas mais amenas reduzem o risco de colapso do gelo.
Os acidentes na cascata de gelo são frequentes e muitas vezes fatais. Em 2014, o colapso de uma serac (formações de gelo em glaciares) desencadeou uma avalanche que matou 16 guias sherpas, obrigando ao cancelamento da época de escalada.
Após a catástrofe, a rota foi modificada para reduzir a exposição aos glaciares suspensos, mas os riscos mantêm-se.
Em 2023, três alpinistas morreram após o colapso de uma torre de gelo na zona.
Dawa Steven Sherpa, CEO da Asian Trekking, referiu à Efe que aconselharam os "especialistas em cascata de gelo" a verificar se o gelo está a estabilizar.
"Caso contrário, terá de ser considerada uma rota alternativa, embora seja difícil. Requer uma enorme quantidade de mão-de-obra e logística", apontou.
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