Giorgia Meloni afasta remodelação e garante que governo italiano vai completar legislatura
Primeira mulher a ocupar a chefia do governo na história da República Italiana sofreu a primeira grande derrota nas urnas num referendo realizado a 22 e 23 de março.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, assegurou esta quinta-feira, perante o parlamento, que não tenciona levar a cabo qualquer remodelação governamental e que tenciona completar a legislatura, apesar da recente derrota no referendo sobre a reforma judicial.
Dirigindo-se à câmara de deputados, em Roma, numa sessão sobre a ação governativa à partida para o último ano de mandato do seu executivo -- que termina em setembro do próximo ano -, Meloni garantiu que "não há qualquer intenção de proceder a uma remodelação ministerial".
Argumentou que "apesar de ter tido de gerir a pior conjuntura das últimas décadas, este continua a ser o governo que devolveu a Itália a estabilidade política, a credibilidade internacional, a seriedade na gestão dos recursos e melhores indicadores económicos".
No poder há três anos e meio, desde outubro de 2022, Meloni, líder do partido nacionalista conservador Irmãos de Itália e primeira mulher a ocupar a chefia do governo na história da República Italiana, sofreu a primeira grande derrota nas urnas num referendo realizado a 22 e 23 de março.
Meloni viu rejeitada, por uma diferença de quase dois milhões de votos (o "Não" obteve 53,7%, contra pouco mais de 46% do "Sim"), a proposta do seu executivo para reformar o setor da justiça, um resultado que levou à demissão de três membros do governo.
Comentando esta quinta-feira que o governo está de "consciência tranquila" e respeita a rejeição da reforma da justiça, que admitiu ser "um dos compromissos assumidos com os italianos" no início da legislatura, Meloni assegurou que não haverá mais "demissões nem remodelação" e o atual executivo levará o mandato até ao fim.
"Não há necessidade de novas orientações políticas, porque as nossas sempre fizeram parte do programa do governo, e governaremos durante cinco anos, tal como nos comprometemos a fazer", declarou.
"Tenho imensos defeitos, exceto um: não fujo, não fujo dos problemas e estou habituada a assumir as minhas responsabilidades", reforçou, prometendo que, até final da legislatura, o seu governo "vai fazer mais e melhor".
O governo ultraconservador liderado por Giorgia Meloni, que, além do seu partido, Irmãos de Itália, inclui a Liga, de Matteo Salvini (extrema-direita), e o Força Itália, de Antonio Tajani (direita), já é o terceiro com maior longevidade da República italiana, que, ao longo dos seus 79 anos, teve 68 governos, o que significa que a 'esperança de vida' média de um executivo em Itália é de sensivelmente 13 meses.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt