Governador acusado de abafar violência doméstica
O governador de Nova Iorque, David Paterson, está a ser acusado de ter tentado abafar um caso de violência doméstica em que está envolvido um funcionário do seu gabinete, David Johnson. O escândalo foi revelado pelo jornal ‘New York Times’, forçando o político a reagir.
O caso começou em finais do ano passado, quando a mulher que vivia com Johnson, não identificada pelo jornal a seu pedido, apresentou uma queixa judicial alegando ter sido violentamente agredida pelo companheiro, contra quem pediu uma ordem de restrição. Segundo a queixosa, na noite de Haloween, Johnson tentara asfixiá-la, rasgara-lhe a roupa e atirara-a violentamente contra um armário com vidro no apartamento em que vivia com ele e com o seu filho de 13 anos. Depois, tirara-lhe os dois telemóveis para impedi-la de pedir ajuda.
A senhora foi presente a três audiências em tribunal e, nas duas últimas, queixara-se de ter sido pressionada pela polícia novaiorquina para retirar a queixa. Quando foi marcada a a última audiência, em que o juiz iria decretar a ordem de proteccção, a companheira de Jonhson recebeu um telefonema do governador Paterson, que não lhe falou directamente na queixa contra o marido, mas disse-lhe que se precisasse de alguma coisa ele ajudá-la-ia. Este telefonema intimidou de tal modo a senhora que, com medo de represálias, desistiu do caso.
Inquirido pelo ‘New York Times’, o porta-voz da polícia admitiu que um agente visitou a senhora, mas desmentiu que este a tivesse pressionado, afirmando que se trata de um procedimento normal em casos mediáticos. Segundo o jornal, Johnson, de 37 anos, é um protegido do governador, para quem trabalhou durante toda a sua vida adulta e é conhecido por ser violento com mulheres. Começou como motorista e hoje é um dos mais influentes funcionários do gabinete de Paterson, tendo a sua ascensão meteórica sido muito comentada. Perante a exposição nos media, o governador viu-se forçado a tomar medidas: pediu uma investigação ao procurador-geral e suspendeu Johnson, sem direito a salário, enquanto decorre a investigação.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt