Governador do Banco da França lamenta que país se oponha ao acordo UE/Mercosul

François Villeroy de Galhau considera que a defesa do multilateralismo "não pode ser a nossa única reação".

16 de fevereiro de 2026 às 20:08
François Villeroy de Galhau Foto: BENOIT TESSIER/X07241
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O governador do Banco da França (BdF), François Villeroy de Galhau, lamentou esta segunda-feira que o país se oponha ao acordo entre a União Europeia e o Mercosul num momento de múltiplas crises e ruturas geopolíticas.

"Lamento que o meu país tenha considerado inteligente opor-se ao Mercosul", afirmou Villeroy de Galhau, no encerramento de um colóquio da Associação Europa Finanças e Regulações, que serviu para apresentar um novo número da Revista de Economia Financeira.

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Para o governador do BdF, diante dos desafios que Trump coloca ao sistema internacional, a defesa do multilateralismo "não pode ser a nossa única reação".

"Falamos demais sobre Trump e não o suficiente sobre o que podemos fazer por nós mesmos", disse, citado pela agência EFE, acrescentando que a primeira coisa a ser trabalhada são novos avanços na construção e integração europeia.

A este respeito, salientou que, neste momento, precisamente as ideias que a França tem defendido desde os tempos do general Charles de Gaulle até ao atual presidente, Emmanuel Macron, de uma Europa soberana e não dependente dos Estados Unidos, são as que agora se estão a impor na União Europeia.

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Mas com o paradoxo de que isso acontece num momento em que "a credibilidade francesa está enfraquecida" pela situação financeira e política que vive.

O governo francês justifica a sua rejeição a este pacto com o bloco sul-americano pelo risco que teme que represente para alguns setores agrícolas franceses, em particular para a carne bovina, a carne de frango ou a beterraba sacarina, e exige maiores garantias com cláusulas de salvaguarda, cláusulas espelho ou controlos alfandegários.

Villeroy de Galhau já tinha insistido no final de janeiro, durante a Cimeira de Davos, que o tratado com o Mercosul não é responsável pela crise que atravessa a agricultura francesa e que, se não for aprovado, isso não será solução.

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Pelo contrário, acrescentou que esse acordo poderia beneficiar a indústria francesa e até mesmo alguns setores da agricultura, como o leiteiro.

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