Governo espanhol garante que carris do local do descarrilamento tinham certificação de inspeção
Certificados surgem em resposta a notícia que diz existir uma junção entre material novo e vias não renovadas desde 1989.
O ministro dos Transportes e Mobilidade Sustentável de Espanha, Óscar Puente, apresentou este domingo vários certificados para garantir que a via da Arcelor Mittal, onde ocorreu o descarrilamento do comboio Iryo em Adamuz, Córdoba, foi inspecionada.
De acordo com a agência espanhola de notícias, a EFE, o ministro publicou duas mensagens na rede social X, assegurando primeiro que o carril partido onde ocorreu o descarrilamento do comboio Iryo é uma via nova e, uma hora mais tarde, publicou outra mensagem com fotografias dos certificados.
As mensagens do ministro surgem em resposta à notícia do jornal El Mundo deste domingo, na qual se afirma que a zona onde o comboio Iryo descarrilou é um ponto de junção entre material novo e vias não renovadas desde 1989.
"Informo-vos, antes que perguntem, que o carril em questão tem o seu certificado de inspeção, tendo passado em todas as verificações químicas, mecânicas, metalográficas, de equação preditiva, de dureza e de choque e impacto", escreve o ministro, segundo a Efe, considerando que o artigo é "um boato descarado".
Puente explicou ainda que todas estas verificações são obrigatórias para estes materiais antes da sua entrada em funcionamento, como comprovam os certificados do fabricante que inclui na sua mensagem.
O artigo do El Mundo e a resposta do governante surgem no mesmo dia em que os últimos destroços das carruagens do comboio de alta velocidade Alvia, envolvido no acidente de há uma semana em Adamuz, Córdova, que causou 45 mortos, foram retirados este domingo das vias.
O jornal El Mundo noticiou este domingo que o troço da linha que colapsou em Adamuz apresentava uma junção de materiais novos com elementos de 1989, o que levou o Partido Popular (PP) a exigir a demissão imediata de Puente.
O secretário-geral do principal partido da oposição, Miguel Tellado, acusou o ministro dos Transportes de ter mentido sobre as causas do acidente.
"Óscar Puente passou toda a semana a repetir incessantemente que a via Madrid-Andaluzia tinha sido completamente renovada com um investimento de 700 milhões de euros", disse Tellado.
A linha de atendimento da Refer já respondeu a 1.100 pedidos de informação e ajuda, noticia ainda a Efe, que dá conta também do apelo da multinacional siderúrgica Arcelor Mittal, construtora dos carris, para uma investigação sem especulações.
"Dadas as inúmeras causas possíveis do acidente ferroviário de Adamuz, é fundamental que se permita que a investigação independente seja realizada à margem de especulações, que não ajudariam as pessoas afetadas nem a integridade do processo", lê-se no comunicado citado pela agência espanhola de notícias.
Num comunicado, a empresa, que afirma compreender o desejo de obter respostas imediatas, sublinha que todo o aço fornecido para vias férreas é submetido a rigorosos testes de qualidade e defende a necessidade de examinar "todas e cada uma das possíveis causas".
O descarrilamento do comboio de alta velocidade Iryo terá sido provocado por uma "fratura do carril", segundo o relatório preliminar da comissão independente de investigação do acidente.
A outra composição, que passou em sentido contrário 20 segundos depois, chocou com carruagens do primeiro comboio que se tinham atravessado na linha.
O acidente causou 45 mortos e perto de 150 feridos.
Após a divulgação do relatório, o ministro dos Transportes, Óscar Puente, disse que todas as inspeções tinham sido respeitadas na linha e que as fissuras nos carris eram habituais. Mas houve "muito má sorte" no caso de Adamuz, considerou.
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