Governo espanhol insiste em operação de desembarque de passageiros do navio com surto de hantavírus nas Canárias
Acolhimento do barco nas Canárias está a ser alvo de polémica em Espanha. Governo regional é contra operação de desembarque.
O navio com hantavírus chegará às Canárias dentro de três dias e as pessoas a bordo serão retiradas e repatriadas ao abrigo do mecanismo europeu de proteção civil, disse, esta quarta-feira, o Governo de Espanha.
O acolhimento do barco nas Canárias está a ser alvo de polémica em Espanha, com o governo regional das ilhas a considerar que não há motivo para esta operação de desembarque e repatriamento das pessoas a bordo não ser feita em Cabo Verde.
O presidente do Governo regional, Fernando Clavijo, disse também desconhecer que tipo de acordo foi feito com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a situação sanitária a bordo ou que estirpe do vírus está em causa.
Os dois ministros asseguraram, esta quarta-feira, que o Governo central tem estado em contacto com o executivo regional, a quem continuarão a ser transmitidas todas as informações sobre esta operação.
O MV Hondius, que está de quarentena em águas de Cabo Verde, deve chegar às ilhas espanholas dentro de três dias, depois desta quarta-feira terem sido retiradas do paquete as três pessoas com sintomas de infeção com hantavírus, que foram levadas para os Países Baixos, disseram os ministros da Saúde e da Administração Interna de Espanha, numa conferência de imprensa em Madrid.
Espanha vai receber o navio nas Canárias, a partir de onde será feita a operação de transferência e repatriamento, por determinação e pedido da Organização Mundial da Saúde (OMS), disse o ministro Fernando Grande-Marlaska, que tem a pasta da Administração Interna.
Segundo a OMS, as Canárias são o porto mais próximo do local onde está agora o cruzeiro com todas as capacidades técnicas e de segurança de saúde pública necessárias para esta operação, acrescentou.
Além de ser o porto "com todas as capacidades técnicas necessárias", as Canárias são território da União Europeia e conta por isso com o quadro legal europeu e o mecanismo que garante o repatriamento das pessoas a bordo do navio "com condições de maior segurança", disse o Fernando Grande-Marlaska.
"É uma situação complexa, mas temos meios para responder a este tipo de situação com o músculo próprio do nosso país e também da União Europeia", acrescentou.
O ministro sublinhou que Espanha vai assegurar esta operação por razões "humanitárias, éticas e morais", face a "uma situação sanitária grave" com pessoas que precisam de ajuda, mas também por "obrigações jurídicas internacionais", atendendo a convénios e tratados assinados pelo país e a que há 14 espanhóis a bordo do navio.
A ministra da saúde, Monica García, acrescentou que todo o processo será coordenado ao abrigo do mecanismo europeu de proteção civil, que Espanha já ativou, envolvendo a OMS e o Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC), e com "todas as garantias de segurança necessárias", tanto a nível da atenção médica que possa ser necessária como das transferências e transporte de pessoas, que ocorrerão sem contacto com a população local das Canárias.
Os dois ministros explicaram que, neste momento, todas as pessoas a bordo do cruzeiro estão sem sintomas de infeção com hantavírus e que à chegada às Canárias serão de novo examinadas. Se não exigirem nesse momento atenção médica, serão repatriadas.
Quanto aos 14 espanhóis a bordo do navio, serão examinados e transferidos num avião militar para um hospital militar em Madrid, onde deverão ficar de quarentena por um período que pode chegar a 45 dias, o tempo de incubação do hantavírus, disse Mónica García.
Foram confirmados até agora dois casos de infeção com hantavírus e outros cinco suspeitos no barco que está desde domingo em águas de Cabo Verde. Três pessoas que viajavam no cruzeiro morreram.
O hantavírus provoca uma infeção respiratória.
O navio, com 149 pessoas (88 passageiros) de 23 nacionalidades fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, de onde saiu a 20 de março, e as ilhas Canárias, com paragens no Atlântico Sul para turismo de observação da vida selvagem.
Segundo a OMS, os relatos de doença a bordo foram recebidos entre 06 e 28 de abril, sobretudo febre e sintomas gastrointestinais, com rápida progressão para pneumonia, síndrome respiratória aguda e choque.
A OMS avalia atualmente como baixo o risco para a população global decorrente deste surto
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