Governo moçambicano preocupado com liberdade provisória de suspeitos de raptos

Ministro do Interior do país defendeu "uma nova reflexão com o envolvimento de todos os atores, nomeadamente, o poder legislativo, executivo e judicial.

29 de novembro de 2023 às 13:50
Polícia moçambicana Foto: Getty Images
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O ministro do Interior de Moçambique, Pascoal Ronda, manifestou esta quarta-feira no parlamento preocupação com a liberdade provisória concedida a arguidos alegadamente envolvidos nos crimes de raptos, defendendo uma reflexão sobre o tratamento deste tipo de delitos no país.

"Preocupa-nos o facto de, amiúde, parte dos detidos verem a sua medida de coação alterada, isto é, postos em liberdade provisória mediante o pagamento de caução ou sob Termo de Identidade e Residência", afirmou Ronda, ao intervir na Assembleia da República, em resposta a uma acusação da bancada da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição, sobre a "impotência do Governo" no combate aos raptos e sequestros.

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O ministro defendeu "uma nova reflexão com o envolvimento de todos os atores, nomeadamente, o poder legislativo, executivo e judicial, para resolver o problema de forma mais adequada, apropriada e eficaz".

O Governo, afirmou, tem incrementado ações de prevenção e combate, "resultando na redução dos casos criminais desta natureza e no aumento do número de autores detidos".

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Paralelamente às ações internas de combate ao crime organizado, têm sido privilegiadas ações de cooperação com os países da região, através da troca de informação e realização de operações conjuntas e simultâneas, prosseguiu.

O Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, reconheceu hoje a necessidade de reforçar a competência da polícia moçambicana e que os cidadãos devem poder exercer a sua atividade em "total segurança", sem recear raptos ou sequestros.

"Queremos que o cidadão possa exercer as suas atividades produtivas em total ambiente de segurança e que os investidores se sintam seguros para libertar a sua iniciativa empreendedora sem temer o risco de assaltos, raptos, sequestros ou perda das suas propriedades", afirmou Nyusi, após presidir à abertura do conselho coordenador do Ministério do Interior.

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A cidade de Maputo vive há algumas semanas uma nova onda de raptos, sobretudo de empresários, com registo de dois luso-moçambicanos visados no último mês e suspeitas de envolvimento de agentes ligados à investigação policial neste tipo de crime.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português confirmou à Lusa que o Consulado-Geral de Maputo está a acompanhar a tentativa de rapto de um cidadão luso-moçambicano, ocorrido na segunda-feira, o segundo caso num mês.

"O Consulado-Geral em Maputo acompanha a situação da tentativa de rapto de um cidadão luso-moçambicano. As autoridades moçambicanas tomaram conta da ocorrência", referiu fonte oficial do MNE, em resposta a uma pergunta da Lusa.

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Um comerciante luso-moçambicano foi ferido a tiro por desconhecidos que o tentaram raptar na segunda-feira, no centro da cidade de Maputo, crime frustrado graças à intervenção da população, segundo o porta-voz da polícia na capital de Moçambique, Leonel Muchina.

Num outro caso, um grupo de três homens armados raptou na manhã de dia 01 de novembro uma jovem luso-moçambicana de 26 anos, quando esta saía da sua casa em Maputo, segundo o memso porta-voz, em declarações à Lusa.

Esta situação "está a ser acompanhada através dos postos diplomáticos e consulares em Maputo, que estão em contacto com a família", disse anteriormente fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros à Lusa.

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Neste caso, a jovem luso-moçambicana permanece em cativeiro até esta quarta-feira.

Na semana passada, seis pessoas foram detidas por alegada participação numa tentativa de rapto do empresário moçambicano Juneid Lalgy, no dia 8 de novembro, avançou anteriormente o Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic).

No dia 17 deste mês, um empresário moçambicano ligado ao ramo automóvel foi raptado por homens desconhecidos na cidade de Maputo.

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