Guerra na Camorra aterroriza Nápoles
Assassinatos a sangue-frio em plena rua, vítimas torturadas até à morte e carbonizadas dentro de automóveis, velhos mafiosos abatidos com tiros na nuca enquanto almoçam tranquilamente numa pizzaria. Olho por olho, dente por dente, a guerra entre clãs da Máfia napolitana já fez mais de 120 mortos desde o início do ano, e nem o reforço policial e a detenção de mais de meia centena de mafiosos conseguiu travar a violência.
Desde o início dos anos 90 que a cidade de Nápoles não assistia a tamanho banho de sangue. Esta guerra é, no entanto, diferente das anteriores. Antigamente, as guerras mafiosas envolviam duas famílias ou dois clãs mafiosos que lutavam pelo controlo do tráfico de droga. Agora, segundo a polícia, são vários os grupos mafiosos que se digladiam por uma parcela no lucrativo ‘negócio’.
Na origem deste conflito está o mandado de captura emitido há dois anos contra Paolo di Lauro, chefe do clã di Lauro e o mais poderoso dos patrões da Camorra, a Máfia napolitana. Acossado pela polícia, di Lauro passou à clandestinidade, levando ao surgimento de numerosas facções ávidas de assumir o seu lugar.
Segundo a polícia, estes novos grupos são formados maioritariamente por mafiosos jovens e agressivos, que não hesitam em recorrer à força das armas para ganhar posição na corrida ao controlo do lucrativo tráfico de droga. O resultado foi uma explosão de violência que aterrorizou os próprios napolitanos, há muito habituados a viver no meio das guerras dos mafiosos – em menos de um ano ano foram assassinadas mais de 120 pessoas, 30 das quais no último mês.
No início da semana passada, uma megaoperação policial levou à detenção de 53 mafiosos, mas nem isso travou a guerra. Só este fim-de-semana foram mortas mais quatro pessoas, levando os napolitanos a interrogar-se onde irá parar estar espiral de violência.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt