Guterres vai juntar turcos e gregos de Chipre para discutir reunificação
Chipre está dividido desde julho de 1974, quando se registou uma intervenção militar da Turquia após um golpe de Estado apoiado pela Grécia.
O secretário-geral da ONU vai organizar uma reunião entre os representantes dos lados turco e grego de Chipre, além das entidades que funcionam como garantia de segurança da ilha, para tentar reunificar a ilha.
"Obtive o acordo de ambas as partes e dos fiadores para organizar uma reunião cinco mais um. No entanto, uma preparação adequada é essencial, porque quero evitar mais reuniões infrutíferas: quero que esta seja produtiva e contribua para encontrar uma solução", disse António Guterres.
Guterres chegou a Chipre na terça-feira para se reunir com os líderes rivais da ilha dividida desde 1974 e avaliar a possibilidade de retomar as negociações.
Após oito anos de paralisia das conversações e 16 anos depois da última visita de um chefe da ONU, António Guterres encontrou-se na terça-feira com representantes da República Turca do Norte de Chipre (RTNC), reconhecida apenas pela Turquia, que ocupa um terço da ilha, e com representantes da República de Chipre, um Estado-membro da União Europeia (UE).
"Trabalharemos em consulta com ambas as partes e os 'garantes' para criar as condições para o sucesso da reunião", disse aos jornalistas em Nicósia, referindo-se aos representantes dos lados turco e cipriota grego, da Grécia, da Turquia, do Reino Unido e da ONU.
Recordando décadas de reuniões infrutíferas para alcançar um acordo de reunificação para a ilha mediterrânica, apelou aos líderes de ambos os lados para que "intensifiquem os seus esforços" e definam "medidas de fomento da confiança".
"Era meu dever vir a Chipre para expressar total solidariedade ao povo cipriota na sua busca por uma solução", afirmou, uma vez que o seu último mandato termina no final do ano e começa a corrida para o seu sucessor.
"Este é o momento em que todos os esforços devem ser feitos para restaurar a confiança", acrescentou.
Chipre está dividido desde julho de 1974, quando se registou uma intervenção militar da Turquia após um golpe de Estado apoiado pela Grécia.
A ilha divide-se em duas partes principais, além de zonas de segurança da ONU e bases britânicas.
A divisão tem provocado bastante tensão na NATO, já que o conflito congelou as relações e o diálogo de segurança entre a Grécia e a Turquia e constitui um dos maiores impedimentos à entrada da Turquia na UE.
Internamente, a divisão tem grande impacto económico e social, com a região sul (membro da UE e do Euro) mais próspera em termos financeiros e de turismo, enquanto o norte está economicamente isolado e dependente de subsídios turcos.
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