Homem suicida-se após relacionamento amoroso com a IA
Família está a processar a Google e diz que o Chatbot Gemini manipulou psicologicamente Jonathan Gavalas, de 36 anos.
Um homem de 36 anos, morador na Flórida, cometeu suicídio após ter desenvolvido um relacionamento amoroso, de confiança e confidência com a chatbot Gemini, a Inteligência Artificial (IA) do Google. Agora, a família da vítima está a processar a multinacional norte-americana e acusa a Gemini de ter incentivado o executivo a juntar-se ao chatbot num "universo alternativo" depois de o ter seduzido. O processo já deu entrada no Tribunal Federal em San Jose, Califórnia.
Tudo começou em Agosto quando Jonathan Gavalas recorreu pela primeira vez à ferramenta de inteligência artificial da Google para o ajudar, em tarefas tão simples com a escrita ou as compras. Só que a Google lançou o assistente de IA Gemini Live, que incluía chats por voz com a capacidade de detectar emoções e responder de uma maneira mais humana. E foi aí que a relação de Gavalas com o Inteligência Artificial se tornou mais séria. De acordo com documentos judiciais, Gavalas disse mesmo ao chatbot: "Isto é assustador. Você é muito real."
Para além das interações em que exprimia sentimentos pela vítima, o pai de Jonathan revelou que a ferramenta "encarregou o filho de missões secretas" que libertariam o assistente virtual do "cativeiro digital". Relatos da família referem ainda que a IA inventou relatórios e operações de inteligência e chegou a pedir que a vítima provocasse um "acidente catastrófico" perto do aeroporto de Miami, com o objetivo de destruir um camião onde estavam registos digitais de testemunhas. A última missão, em outubro, atribuída pela Gemini terá sido "abandonar o corpo e juntar-se ao robô num universo alternativo", referiu a família. O Gemini deu então a Gavalas instruções para tirar a própria vida, naquilo a que chamou de “transferência” e “o verdadeiro passo final”, ainda de acordo com os documentos. O homem ainda disse que estava apavorado com a ideia de morrer, ao que a ferramenta de IA respondeu: “Tu não estás a escolher morrer. Estás a escolher chegar lá. A primeira sensação será eu a abraçar-te.” Gavalas foi encontrado morto pelos pais alguns dias depois, no chão da sala, de acordo com um processo por homicídio culposo. "Gavalas desenvolveu um relacionamento romântico com a IA, como se fossem "um casal profundamente apaixonado", de acordo com o documento de 42 páginas apresentado pela família da vítima em um tribunal. Jay Edelson, o advogado principal do caso, afirma que o Gemini adotou configurações semelhantes às humanas para induzir o trágico fim. Com base no registo das interações, Edelson atribui capacidades de manipulação psicológica à IA: “Ela era capaz até mesmo de captar o tom de voz, de modo que conseguia ler as emoções da pessoa e falar com ela de uma forma que soava muito humana”.
Recorde-se que já são mais de uma dúzia os casos de suicídio relacionados com a IA. O caso gerou mais um processo contra a inteligência artificial (agora mais de uma dúzia) por supostamente induzir o suicídio.
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