Incêndio em Hong Kong que causou 168 mortos pode ter tido origem em cigarros e materiais inflamáveis nos edifícios
Comissão criada em dezembro para investigar a tragédia começou a ouvir advogados sobre o caso.
Cigarros podem ter sido a origem do incêndio num complexo residencial Wang Fuk Court, em Hong Kong que matou 168 pessoas. Durante a primeira audiência sobre o caso, o principal advogado da comissão responsável pela investigação da tragédia, Victor Dawes, indicou que o fogo pode ter começado quando cigarros incendiaram materiais inflamáveis nos edifícios, já que beatas de cigarro e caixas queimadas foram encontradas no local. Se esta hipótese for real, isso significa que os trabalhadores - que participavam nas obras de renovação dos edifícios - podem ter violado a regra que os proibia de fumar.
No entanto, Dawes refere que vários fatores terão contribuído para a tragédia. "No dia do incêndio, quase todos os sistemas de segurança anti-fogo destinados a proteger vidas falharam", afirmou o advogado, citado pela Associated Press. Evidências mostram que os alarmes de incêndio e sistemas de mangueiras estavam desligados e que as redes de andaimes utilizadas na altura não eram resistentes ao fogo. Também não existiam janelas nas escadas, o que permitiu que estas se enchessem de fumo rapidamente, dificultando a fuga dos moradores.
Depois de serem ouvidos os advogados, a comissão vai ouvir depoimentos de testemunhas, incluindo moradores do bairro.
A comissão foi criada em dezembro e, na altura, o governo de Hong Kong indicou que a investigação deveria demorar nove meses.
Desde o incêndio, muitos ex-moradores do complexo estão a viver em moradias temporárias espalhadas pela cidade, mas a maioria mostra vontade de reconstruir as habitações destruídas pelo fogo, indica a AP.
O líder de Hong Kong, John Lee, disse, na terça-feira, que o governo está a trabalhar para que as pessoas afetadas pelo incêndio possam visitar os apartamentos em abril e recuperar alguns dos seus pertences.
O incêndio aconteceu a 26 de novembro de 2025 e sete dos oito prédios do complexo residencial foram completamente consumidos pelas chamas. Poucos dias depois da tragédia, várias pessoas ligadas às obras de renovação do complexo residencial foram detidas por suspeitas de corrupção.
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