Instituto cabo-verdiano apresenta queixa contra cartazes que sexualizam mulheres

Propaganda apresenta duas mulheres, incluindo uma grávida, sob o slogan "no diapers... just diamonds" (sem fraldas, apenas diamantes).

10 de setembro de 2025 às 22:20
Ilha do Sal, em Cabo Verde Foto: Direitos Reservados
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O Instituto Cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade de Género (ICIEG) apresentou esta quarta-feira uma queixa à Autoridade Reguladora para a Comunicação Social (ARC) contra a empresa Casino Royal, por cartazes que sexualizam mulheres na ilha turística do Sal.

"Face às denúncias públicas referentes aos cartazes publicitários colocados pela empresa Casino Royal, em Santa Maria e Espargos, na ilha do Sal", o Instituto Cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade de Género (ICIEG) "fez uma queixa formal à Autoridade Reguladora para a Comunicação Social (ARC), entidade com competência sobre a publicidade em Cabo Verde", referiu em comunicado.

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Segundo o instituto, os cartazes, colocados em locais visíveis e próximos de escolas do ensino básico e secundário, "reproduzem estereótipos de género, objetificando e sexualizando mulheres, e contribuem para as desigualdades e discriminação de mulheres e meninas".

O ICIEG apelou à retirada dos cartazes e à adoção de conteúdos publicitários que não reforcem estereótipos de género nem prejudiquem a imagem feminina.

A propaganda apresenta duas mulheres, incluindo uma grávida, sob o slogan "no diapers... just diamonds" (sem fraldas, apenas diamantes), mensagem que, segundo o instituto, reforça estereótipos de género e objetifica a imagem feminina.

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Ana Paula Santos, membro da comissão política regional do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição) na ilha do Sal, citada pela Rádio de Cabo Verde (RCV), manifestou repúdio pela exposição dos cartazes, "que de forma clara e ofensiva promove a exploração e a objetificação do corpo da mulher".

"Este tipo de propaganda atenta contra os princípios de respeito, igualdade e dignidade que defendemos e pelos quais lutamos diariamente. É uma afronta à luta histórica das mulheres cabo-verdianas por espaço e voz. É também o reflexo de como interesses económicos, quando desprovidos de ética e responsabilidade social, podem desconsiderar os valores de uma sociedade que se quer justa e inclusiva. Exigimos que as autoridades atuem com firmeza para que seja removido imediatamente", afirmou.

O Casino Royal, situado no Sal, a principal ilha turística do arquipélago, é o único casino em funcionamento em Cabo Verde, tendo aberto portas em dezembro de 2016, após um investimento de quase cinco milhões de euros.

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