Advogados e intelectuais pedem ao Supremo Tribunal a interdição de Bolsonaro
Subscritores da petição alegam a incapacidade civil de Jair Bolsonaro para desempenhar as funções de chefe de Estado.
Um grupo de académicos e de advogados brasileiros protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para a interdição do presidente do país, Jair Bolsonaro. Os signatários alegam a clara incapacidade civil de Jair Bolsonaro para desempenhar as funções de chefe de Estado e as suas sucessivas omissões na condução do país, nomeadamente no combate à Covid-19.
"Diante dos atos, omissões e reiterado comportamento do ocupante da função de presidente da República, encontramo-nos diante de situação grave, que abala e frontalmente contraria os valores, princípios e regras estabelecidas pela Constituição federal, a integridade e a dignidade estabelecidas, bem como os deveres e a responsabilidade atinentes ao cargo de titular do poder executivo", Lê-se no pedido de interdição protocolado no tribunal e endereçado ao presidente do órgão máximo da justiça brasileira, Luiz Fux.
Os subscritores da petição acreditam representar a maioria da população brasileira, cansada de ser comandada por uma pessoa que claramente não tem o equilíbrio necessário para ocupar a função de presidente da República. E lembram que, só no Congresso, existem mais de 105 pedidos de destituição de Jair Bolsonaro, apresentados pelas mais variadas entidades e personalidades brasileiras, mas que até agora não mereceram análise do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, aliado de Bolsonaro, mesmo ante os gravíssimos erros do governante no combate à pandemia de Coronavírus, que no país já infectou mais de 15 milhões de pessoas e matou mais de 430 mil.
"É visível que ele deixa de tomar medidas que deveria adotar para minimizar os efeitos da doença, proteger cidadãos e cidadãs, agravando os riscos de contágio, doença e morte, não apenas de populações periféricas e minoritárias, mas de todo o conjunto da população. Ele insiste em propagar notícias falsas, em defender e determinar a adoção de tratamentos falsos", acrescenta o documento, numa alusão à defesa que Bolsonaro faz do uso da Cloroquina como cura para a Covid-19, não obstante médicos e entidades científicas asseverarem que esse medicamento não tem qualquer efeito positivo contra a doença.
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