Investigadores provam relação entre o Zika e a microcefalia
No Brasil foram registadas entre 440.000 e 1,3 milhões de infeções pelo Zika.
Um grupo de investigadores eslovenos anunciou esta quinta-feira ter conseguido provar a relação entre o vírus Zika e a microcefalia ao investigar o caso de uma grávida eslovena que foi infetada durante uma estada no Brasil.
Mara Popovic, do Instituto de Patologia da Faculdade de Medicina de Liubliana, anunciou esta quinta-feira em conferência de imprensa na capital eslovena que o vírus foi encontrado nos neurónios do cérebro do embrião da mulher, contagiada no início da gestação. Fica assim demonstrado que o Zika ataca sobretudo as células nervosas do feto, segundo Popovic, e confirmam-se as fortes suspeitas dos especialistas sobre a relação da microcefalia com o vírus.
Os últimos dados das autoridades sanitárias do Brasil, o país mais afetado, com entre 440.000 e 1,3 milhões de infeções pelo Zika, apontam para um assinalável aumento do número de recém-nascidos com microcefalia na região nordeste do país.
O Governo brasileiro declarou mesmo, no ano passado, um alerta sanitário perante o aumento de casos de microcefalia em bebés recém-nascidos, devido à suspeita de poderem estar associados ao vírus, o que agora se comprovou.
Tatjana Avsic Zupanc, do Instituto de Microbiologia e Imunologia, indicou que o feto pode ser contagiado com o vírus em qualquer fase da gestação, mas que os danos mais graves ocorrem no primeiro trimestre da gravidez, noticiou a agência eslovena STA.
Os investigadores eslovenos garantem ter comprovado que os danos no sistema nervoso central, relacionados com o contágio durante a gestação, são consequência da reprodução do vírus no cérebro do feto.
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