Isaac López, o jovem rapper com Asperger assassinado em Madrid
Tinha apenas 18 anos e uma carreira ainda prematura quando foi, alegadamente, morto por gang que o atacava há meses.
Isaac López tinha apenas 18 anos e era um rapper em ascensão ainda no início de carreira quando foi morto por um gang dominicano "por ter Asperger".
O jovem foi apunhalado nas costas com várias facadas esta quarta-feira após meses a ser atacado por pelos Dominican Don't Play (DDP), um grupo violento com origem em Nova Iorque nos anos 90 e que chegou a Madrid em 2000. Há meses que Isaac era vítima dos DDP por sofrer de síndrome de Arperger e esquizofrenia com uma incapacidade de 48%. Esta é a principal linha de investigação da Polícia Nacional para encontrar os culpados deste homicídio violento. Os suspeitos, avança o jornal El Mundo, fugiram numa scooter elétrica após o crime. Isaac tinha saído de casa naquela noite e, ao aperceber-se de que estaria a ser seguido, ligou a um amigo. "Disse-me que quatro pessoas o perseguiam. Eu disse-lhe para correr até ao metro Menéndez Pelayo onde nos conhecemos e de repente ouvi um 'ai'", relata este amigo. "Quis acreditar que eram socos, mas pareciam punhaladas. Depois só ouvi barulho", acrescenta o amigo, a última pessoa que ouviu o jovem de apenas 18 anos vivo. López ia-se encontrar com o amigo no metro para gravarem um videoclip de reggaetón. Testemunhas alegam que viram quatro pessoas a cercar o jovem e uma delas o matou à facada.
O rapper não contava à irmã ou à mãe os abusos de que era vítima para que estas não se preocupassem, mas os amigos sabiam, revela o jornal El Mundo. Rap foi a forma de fugir aos seus problemasCom uma incapacidade de 48% e nascido numa família marcada pela tragédia, Isaac encontrava na música, nos géneros rap e hip hop, uma fuga aos seus problemas.
"Era um menino da mamã. Tinha ficado órfão [de pai] recentemente e cuidou da mãe. Tinha uma irmã mais velha, mas ela agora é independente e estava a fazer a sua vida", revelaram fontes próximas da família.
López tornou-se o apoio financeiro e emocional da mãe, uma mulher desempregada com problemas de saúde que lhe afetavam as pernas.
Ambos sobreviviam graças à pensão de Isaac pela sua incapacidade e por ter ficado órfão de pai. Agora, a mãe do jovem fica sozinha, sem rendimentos, com um empréstimo à habitação para pagar e sem possibilidade financeira de pagar sequer o funeral do filho.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt