ISRAEL VAI DEMOLIR PARTE DA BARREIRA DE SEGURANÇA
O governo israelita anunciou a demolição de uma secção da sua barreira de segurança no território autónomo palestiniano da Cisjordânia. A demolição vai começar no domingo, véspera do início do ‘julgamento’ do projecto de Ariel Sharon pelo Tribunal Internacional de Justiça.
A barreira de segurança entre Israel e a Cisjordânia (um muro de betão, com três metros de altura e topo electrificado, que se vai estender ao longo de 728 quilómetros e que já está parcialmente erguido) é um projecto do governo do primeiro-ministro israelita, Ariel Sharon, que tem sido muito criticado por diversos países e que ameaça pôr fim ao diálogo de paz com os palestinianos. Sharon defende a barreira como uma forma de impedir a entrada de terroristas em Israel. Os palestinianos contestam o traçado da barreira, por dificultar a vida a agricultores na zona de fronteira e por invadir território que consideram ser da Palestina, e ameaçam mesmo contra-atacar com uma declaração unilateral de constituição de um Estado soberano.
No início deste mês, o Supremo Tribunal de Israel analisou uma queixa contra o “Muro” apresentada por duas organizações israelitas de defesa dos direitos civis. Na primeira audiência, a equipa de advogados encarregue de representar o governo de Sharon admitiu a possibilidade de o traçado da barreira vir a ser alterado. Hoje, a porta-voz do Ministério da Defesa de Israel, Rachel Niedak-Ashkenazi, anunciou que uma secção de oito quilómetros da barreira de segurança, junto às aldeias de Baka al-Sharqiya e Zeita, vai ser demolida, pro forma a ajustar o traçado à “Linha Verde” que assinala a fronteira anterior ao conflito de 1967.
De acordo com o anúncio feito, a demolição vai começar amanhã (domingo), um dia antes de o Tribunal Internacional de Justiça, na Holanda, começar a analisar uma queixa apresentada pela Assembleia Geral das Nações Unidas contra a barreira de segurança israelita. Coincidência? A porta-voz governamental israelita garante que não, explicando que esta alteração estava planeada há seis meses. E, na verdade, a decisão a que o Tribunal Internacional de Justiça chegar não é vinculativa para Israel. Poderá constituir, no mínimo, um incómodo político. Mas Sharon tem mostrado pouco se preocupar com as opiniões externas e até Washington já criticou o envolvimento do tribunal internacional nesta matéria.
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