Itália: Presidente tenta evitar eleições
Presidente da República recebeu o primeiro-ministro, Enrico Letta, para debater planos alternativos para resolução da crise. Letta recusa demitir-se.
O primeiro-ministro italiano, Enrico Letta, reuniu-se ontem com o presidente da República, Giorgio Napolitano, para delinear alternativas à crise política criada pela demissão dos ministros do partido de Silvio Berlusconi. A solução desejada por ‘Il Cavaliere' são eleições antecipadas, mas nem o presidente nem Letta pareciam dispostos a deixar cair o governo.
Letta recusa demitir-se e acusou Berlusconi de ter feito "um gesto louco e irresponsável". Napolitano, por seu lado, alertou que aquilo que a Itália precisa "não são campanhas eleitorais contínuas, mas a continuidade de ações governativas, de decisões e medidas para resolver os problemas do país". Para manter o poder, Letta tem de formar nova coligação.
Até no interior do Povo da Liberdade (PdL), de Berlusconi, a decisão de abandonar o governo causou divisões. Por exemplo, três dos cinco ministros que deixaram o executivo de coligação criticaram a decisão tomada por Berlusconi "sem consultar o partido" e alertaram que não vão seguir o líder para o Forza Itália, partido que o magnata pretende recriar depois de deixar o PdL.
O único satisfeito com a nova crise é Berlusconi. Depois de deixar o governo em xeque, afirmou ontem: "Hoje cumpro 37 ou 47 anos, não me recordo [fez 77], mas não estou cansado de lutar. Após 59 dias a olhar para o teto, hoje pude dormir descansado". Recorde-se que ‘Il Cavaliere' ameaçava derrubar o governo desde que, em agosto, foi condenado a quatro anos por fraude fiscal.
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