Jovem norueguês condenado por conspiração para matar ao serviço de rede criminosa ligada ao Irão

Johannes Natland aceitou assassinar uma pessoa no Reino Unido em troca de 25 mil euros para droga. Quando foi detido estava a sorrir em roupa interior.

29 de julho de 2026 às 20:42
Johannes Kongsnes Natland, jovem norueguês de 19 anos Foto: X
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Um jovem norueguês de 19 anos foi considerado culpado de conspiração para cometer homicídio, depois de ter viajado para o Reino Unido com o objetivo de executar um assassinato encomendado por uma organização criminosa internacional com ligações ao Irão.

Johannes Kongsnes Natland, natural de Stavanger, na Noruega, foi condenado em Londres, após um novo julgamento. A decisão foi alcançada depois de mais de 17 horas de deliberação. O jovem permanecerá em prisão preventiva até à leitura da sentença, marcada para outubro, de acordo com o jornal The Guardian.

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Segundo a acusação, Natland aceitou assassinar uma pessoa cuja identidade nunca chegou a ser revelada, em troca de 25 mil euros. Em março de 2025, viajou de Stavanger para o aeroporto de Manchester com um passaporte temporário.

À chegada ao Reino Unido, foi intercetado pelas autoridades, que lhe permitiram permanecer em liberdade sob a condição de regressar ao aeroporto para apanhar o voo seguinte de volta à Noruega. No entanto, ignorou essa ordem e seguiu de táxi para West Yorkshire.

Foi lá que recolheu dinheiro, duas armas de fogo, munições e um automóvel Nissan roubado com matrícula falsa. Na madrugada do dia seguinte, foi detido pela polícia num quarto de hotel. Durante as buscas, os agentes encontraram debaixo da cama um saco de plástico com uma pistola semiautomática, um revólver e 19 munições.

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De acordo com a investigação, Natland foi recrutado pela Foxtrot Network, um grupo criminoso organizado sueco com alegadas ligações ao governo iraniano. A operação seria coordenada por um indivíduo de identidade desconhecida que utilizava o pseudónimo "Agent 47", numa aparente referência à série de videojogos e filmes Hitman. 

Em tribunal, o jovem, que trabalhava em part-time numa pizzaria, afirmou que inicialmente aceitou a proposta por precisar de dinheiro para comprar droga, acreditando tratar-se de uma brincadeira ou de uma fraude. Quando percebeu que o plano era real, garantiu que ponderou disparar sobre o próprio pé para evitar concretizar o homicídio. Apesar dessa versão, a acusação apresentou mensagens enviadas à namorada nas quais Natland escrevia: "Vou numa missão louca. Vai ser um pouco fixe matar alguém. Se não for apanhado, temos de celebrar." 

Quando os agentes bateram à porta do quarto de hotel, o jovem saiu apenas em roupa interior, a sorrir, e simulou disparar sobre um dos polícias com as mãos vazias.

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Johannes Natland finge disparar contra agentes da polícia X

Durante o julgamento, um amigo testemunhou que Natland lhe tinha dito que iria receber muito dinheiro e que "alguém ia morrer". O arguido respondeu que essas declarações eram apenas ameaças arrogantes e insistiu que estava, na realidade, "aterrorizado".

"Eu não era um assassino internacional. Achei que as pessoas esperavam que eu fosse esse tipo de pessoa, mas sabia que não era", afirmou perante o tribunal.

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Os jurados ouviram ainda que Natland mentiu às autoridades após a detenção e tentou convencer a namorada a não prestar depoimento durante chamadas telefónicas efetuadas a partir da prisão. O procurador Alistair Richardson descreveu o arguido como "um jovem problemático, mas perigoso", que aceitou matar numa nação estrangeira em troca de dinheiro.

O tribunal soube ainda que Natland, antigo futebolista promissor, começou a consumir drogas aos 13 anos e passou por um lar de acolhimento, onde terá conhecido um membro adolescente da Foxtrot Network.

A Foxtrot Network continua a ser considerada a principal organização criminosa da Suécia, apesar das várias detenções de dirigentes nos últimos anos. As autoridades atribuem ao grupo uma parte significativa da violência armada e dos homicídios relacionados com gangues no país. O líder da organização, Rawa Majid, conhecido como "Raposa Curda", continua em fuga e acredita-se que esteja no Irão.

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