Julgamento do 11-M começa amanhã
Aquele que é considerado o maior teste à Justiça espanhola, o julgamento dos 29 suspeitos dos atentados de 11 de Março de 2004, em Madrid, começa amanhã sob fortes medidas de segurança e num ambiente de crispação política.
Os 29 suspeitos, 650 testemunhas (muitas sob protecção policial), 49 advogados de defesa e 23 de acusação, 98 peritos, três juízes e dezenas de milhares de páginas processuais serão os elementos centrais de um processo marcado por nova tecnologia e por uma intensa mediatização. Mais de 350 jornalistas estão já acreditados para o julgamento, que deverá ter vários meses de duração, com a sentença prevista apenas para o último trimestre deste ano.
A procuradoria pede penas totais de 270 mil anos de prisão para os arguidos, seis dos quais acusados do assassínio das 191 vítimas dos atentados e de quase duas mil tentativas de assassínio (o número de feridos nas explosões). Os restantes são acusados de colaboração nos atentados, falsificação de documentos e participação num grupo terrorista.
A sala, preparada especialmente para o julgamento, na Casa do Campo, em Madrid, terá uma cela especial blindada para os 18 suspeitos actualmente em prisão preventiva e um espaço adicional para os restantes 11 em liberdade condicional. Sem precedentes em Espanha, o processo arranca num ambiente de elevada crispação política, com o Partido Popular, na oposição, a continuar a insistir no alegado envolvimento da ETA nos ataques.
O julgamento inicia-se com o interrogatório a Rabei Osman El Sayed (‘Mohamed, o Egípcio’), detido em Milão a 17 de Junho de 2004 e considerado um dos autores materiais dos atentados de Madrid, sobre os quais existem ainda muitas dúvidas.
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