Julgamento do homicida de Kim Wall começa esta quinta-feira
Corpo da jornalista sueca foi encontrado desmembrado.
O julgamento de Peter Madsen, o inventor acusado de ter matado a jornalista sueca Kim Wall, começa esta quinta-feira em Copenhaga. Wall morreu no dia 11 de Agosto de 2017, no dia em que se encontrou com Madsen no seu submarino, o Nautilus, para o entrevistar.
Peter Madsen é acusado de abuso sexual, de tortura e do homicídio de Wall. O procurador Jakob Buch-Jepsen, encarregue da acusação, descreveu o caso como "invulgar e extremamente brutal" e pede pena perpétua. Esta condenação é a mais pesada na Dinamarca e costuma estar reservada a homicidas de crianças ou que fizeram várias vítimas.
Já a advogada de defesa, Betaina Hald Engmark, indicou que Madsen se assume como inocente.
De acordo com a acusação, Madsen matou Wall para satisfazer as suas fantasias sexuais sádicas. Prendeu, torturou e esfaqueou pelo menos quinze vezes a jornalista, acabando por lhe provocar a morte. O corpo foi encontrado desmembrado, em Agosto de 2017, e a cabeça de Wall só apareceu após buscas de mergulhadores da polícia, em Outubro.
O procurador vai defender que o homicídio foi premeditado: dentro do submarino foram encontrados uma serra, uma faca, fita de plástico e tubos de metal, indica o jornal The Guardian.
O julgamento durará doze dias e começou com a leitura das acusações. Foram chamadas 37 testemunhas, entre elas colegas de Peter Madsen, antigos parceiros de negócios, um realizador australiano que entrevistou Madsen no dia em que Kim Wall foi ter com ele e o namorado da jornalista sueca, o primeiro a dá-la como desaparecida.
Peter Madsen já confessou ter desmembrado o corpo de Kim Wall, e mudou a sua história algumas vezes. Primeiro, disse que ela tinha morrido depois de uma tampa de escotilha lhe ter caído em cima da cabeça, causando-lhe lesões no crânio. Mas quando foi encontrada a cabeça, em Outubro, não tinha quaisquer lesões.
Depois, indicou que tinha morrido de asfixia na cabine do submarino enquanto ele o dirigia da superfície.
A 11 de Agosto, um dia depois da morte de Wall, Peter Madsen alegou que o submarino teve um problema e começou a afundar. Mas a polícia apurou que o submarino afundou de forma propositada.
O veredicto está previsto para 25 de Abril, mas pode ser atrasado devido a uma greve planeada dos funcionários judiciais.
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