Justiça aperta cerco ao presidente Temer

Polícia Federal deteve mais um assessor especial do chefe de Estado brasileiro.

Tadeu Filipelli é suspeito de desviar milhões Foto: Reuters
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Michel Temer, Presidente da República do Brasil Foto: EPA
Michel Temer, Presidente da República do Brasil Foto: EPA

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Numa nova operação contra a corrupção que atinge o presidente brasileiro Michel Temer, a Polícia Federal prendeu ontem em Brasília um dos seus assessores especiais, Tadeu Filippelli. Ele é acusado de, quando era vice-governador de Brasília, ter participado numa fraude que desviou 264 milhões de euros das obras de construção do novo Estádio Nacional.

Filippelli, presidente do partido de Temer, o PMDB, em Brasília, foi preso juntamente com os ex-governadores da capital brasileira José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz, além de vários executivos de construtoras, todos acusados do mesmo crime.

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Tadeu Filippelli é o quarto dos cinco assessores especiais de Temer a ser ligado a casos de corrupção. Além de Filippelli, exonerado do cargo ontem mesmo, outro assessor, José Yunes, demitiu-se após denúncia de ter recebido milhões em dinheiro ilícito da Odebrecht, e um terceiro, Sandro Mabel, é acusado pelo Ministério Público de, quando era deputado, pedir luvas para aprovar uma medida que beneficiava empresários.

O quarto, o atual deputado Rodrigo Rocha Loures, teve o mandato suspenso na semana passada pelo Supremo Tribunal após ser filmado a receber uma mala cheia de dinheiro vivo - 500 mil reais, cerca de 136 mil euros - dado pela empresa JBS e supostamente destinado a Temer.

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O próprio presidente estará muito perto de perder o cargo, depois de outra gravação comprometedora ter levado o Supremo Tribunal a instaurar uma investigação contra ele por corrupção e obstrução à Justiça. Na gravação, feita pelo dono da JBS, Joesley Batista, Temer parece autorizar a decisão do empresário de comprar o silêncio de testemunhas - incluindo o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, detido no âmbito da Lava Jato - que poderiam comprometê-los.

Lula da Silva alvo de nova acusação

Cabe agora ao juiz Sérgio Moro, chefe da operação anticorrupção Lava Jato, que comanda dois dos outros cinco processos em que Lula já é arguido, decidir se aceita ou não um novo processo contra o ex-presidente brasileiro.

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PGR pede prisão de Aécio Neves

Aécio, igualmente apontado como candidato às presidenciais de 2018, foi um dos apanhados nas gravações secretas do empresário Joesley Batista a pedir milhões em luvas e tem o mandato suspenso desde a semana passada.

PORMENORES 

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Saída negociada

Renan Calheiros, líder do partido de Temer no Senado, fez ontem um pedido de duvidosa aceitação ao chefe de Estado, para que este "facilite uma saída negociada" para a crise. Esta solução passaria, segundo o senador, pela renúncia de Temer e eleição de outro presidente pelo Congresso.

Ministros seguram Temer

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Os ministros que mais se opõem à renúncia de Michel Temer, Eliseu Padilha e Moreira Franco, têm um interesse próprio em que o governo não seja dissolvido, pois ambos são acusados de corrupção e, se deixarem de ser ministros, perderão o foro privilegiado e irão parar às mãos do temido juiz Sérgio Moro, que lidera a Lava-Jato.

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