Justiça aperta o cerco a Sarkozy
Detidos advogado e juiz por suspeita de informarem antigo presidente da República Francesa de casos de corrupção que sobre ele pendiam.
A justiça francesa deteve ontem para interrogatório o advogado de Sarkozy e um magistrado do Supremo Tribunal, por suspeita de tráfico de influência e violação do segredo de justiça, avança o jornal francês ‘Le Monde’. O advogado Thierry Herzog e o juiz Gilbert Azibert foram detidos preventivamente no âmbito de uma investigação do gabinete anticorrupção, especializado em infrações financeiras e fiscais, por suspeita de terem montado uma rede de informadores que manteria Sarkozy informado dos escândalos de financiamento ilegal que pendiam sobre ele. O próprio Sarkozy pode vir a ser convocado pelo gabinete anticorrupção de Nanterre para depor sobre o caso, diz a imprensa francesa.
Com estas detenções, a polícia pretende apurar se o antigo chefe de Estado contou com o apoio do advogado para obter informações do magistrado, a quem teria sido prometido um alto cargo, sobre as investigações que o envolviam e averiguar se Nicolas Sarkozy foi informado ilicitamente de que estava sob escuta. Essa medida, inédita no que respeita a um ex-presidente, foi decidida no âmbito da investigação sobre um eventual financiamento do ex-ditador líbio Muamar Kadhafi para a campanha presidencial de Sarkozy, em 2007, que venceu contra Segolène Royale.
Sarkozy está envolto em vários casos de corrupção. Para além do caso do financiamento de Kadafi, também a milionária Lilianne Bettencourt, herdeira do império L’Oreal, teria financiado ilegalmente a campnha de 2007. O seu nome surge também ligado ao escândalo de Bernard Tapie, envolvendo também a ex-ministra da economia de Sarkozy e atual diretora do FMI, Chrsitine Lagarde, que teria recebido 403 millhões de euros em indemnização estatal pela venda da Adidas.
O escândalo judicial agora divulgado coincide com os rumores de um retorno de Nicolas Sarkozy à liderança do partido UMP (união por um Movimento Popular), cujo último presidente, Jean-François Copé, se demitiu após denúncia do uso de faturas falsas para custear a campanha de Sarkozy às presidenciais de 2012, que perdeu para o socialista François Hollande.
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