Justiça manda ex-ministro-chefe de Lula entregar-se para cumprir mais 30 anos

José Dirceu era chamado de "Czar" pela imprensa.

José Dirceu Foto: EPA
José Dirceu Foto: Reuters
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O ex-ministro-chefe da Casa Civil do primeiro governo do ex-presidente Lula da Silva, José Dirceu, que tinha tanto poder naquela altura que era chamado "Czar" pela imprensa, tem até às 17h00 brasileiras desta sexta-feira, 21h00 em Lisboa, para se entregar à polícia e voltar a cumprir a pena de 30 anos e 9 meses de cadeia a que foi condenado por corrupção.

Nesta quinta-feira, o Tribunal Regional Federal da 4. Região, TRF-4, o mesmo que mandou Lula para a cadeia, negou o último recurso a que Dirceu tinha direito naquela instância e determinou que o juiz do caso, Sérgio Moro, decretasse a prisão do ex-super ministro.

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Como Sérgio Moro está nos Estados Unidos mais uma vez, a juíza que o substituiu, Gabriela Hardt, foi quem expediu o mandado. Hardt imitou a mesma impressionante celeridade com que Sérgio Moro mandou prender Lula da Silva em 5 de Abril, e expediu a ordem de prisão contra Dirceu apenas algumas horas depois da decisão do TRF-4.

Por essa ordem, Dirceu, de 72 anos, deve apresentar-se na ala prisional da Polícia Federal de Brasília até ao referido horário. Desde Maio do ano passado, depois de conseguir um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal, STF, José Dirceu cumpria prisão domiciliar num apartamento em Brasília, monitorado por pulseira electrónica.

De acordo com o advogado dele, Roberto Podval, o antigo ministro vai cumprir a determinação e entregar-se à polícia dentro do prazo. Recentemente, Dirceu afirmou que, se voltasse para a prisão, dificilmente voltaria à liberdade, por causa do tamanho da pena e da sua idade, e que iria passar os anos que lhe restam a estudar e escrever na cadeia.

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José Dirceu foi preso pela operação anti-corrupção Lava Jato em Agosto de 2015, quando ainda cumpria uma outra pena em regime domiciliar, referente à condenação sofrida em 2012 como chefe de outra mega-fraude envolvendo governos de Lula da Silva, o escândalo que ficou conhecido como "Mensalão".

Para o Ministério Público e para o juíz Sérgio Moro, Dirceu, mesmo já condenado e em prisão domiciliária, continuou a praticar crimes de corrupção, dessa feita no esquema do "Petrolão", que deu origem à Operação Lava Jato.

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