Líder da Renamo diz que faltam benefícios para população na exploração de gás no sul do país
Para Ossufo Momade não faz sentido que as populações do sul do país tenham de recorrer à emigração ilegal para fazer face à pobreza.
O presidente da Resistência Nacional Moçambicano (Renamo), Ossufo Momade, considerou esta terça-feira que a exploração de gás natural em Pande e Temane, na província de Inhambane, não está a beneficiar as comunidades.
"O gás sai daqui. Qual é o benefício que estão a ter? Zero", disse Ossufo Momade, durante um comício em Morrumbene, na província de Inhambane, no âmbito da campanha eleitoral para as eleições gerais do próximo dia 15.
Para o líder do principal partido de oposição em Moçambique, não faz sentido que as populações do sul do país, principalmente das zonas rurais, tenham de recorrer à emigração ilegal para fazer face à pobreza.
"Os nossos irmãos daqui recorrem às minas da África do Sul, enquanto Moçambique pode criar emprego aqui mesmo", afirmou o presidente da Renamo, que pede a confiança das populações de Inhambane para mudar o cenário caso seja eleito.
A sul-africana Sasol explora jazidas de gás natural em terra, em Pande e Temane, combustível escoado através de gasodutos para os mercados moçambicano e sul-africano, por exemplo, para produção de eletricidade.
Um estudo do Centro de Integridade Pública (CIP), organização não-governamental moçambicana que trabalha no âmbito da transparência das instituições do Estado, divulgado em 2017, alertava para a necessidade da revisão da metodologia de cálculo do preço a que a Sasol vende o gás natural de Pande e Temane, em harmonia com as principais praças internacionais, considerando que a produção é, maioritariamente, cedida ao complexo industrial da Sasol na África do Sul.
Na altura, a organização não-governamental moçambicana referiu que, de 2004 a 2014, as concessões de gás de Pande e Temane geraram receitas totais para o Estado no valor de 141,85 milhões de dólares (cerca de 130 milhões de euros).
Segundo o CIP, estas receitas equivalem a 7,09% dos dois mil milhões de dólares (1,8 mil milhões de euros) de receitas projetadas pelo Ministério dos Recursos Minerais e Energia de Moçambique, para os 25 anos de duração do projeto, quando já estavam completados 40% do período.
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