Líder do partido presidencial diz que Bolsonaro é "vagabundo" e ameaça "implodi-lo"

Episódio ocorreu durante um almoço da ala do PSL.

18 de outubro de 2019 às 15:17
Bolsonaro
Jair Bolsonaro, Presidente do Brasil Foto: Reuters
Jair Bolsonaro Foto: EPA

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Num novo round da luta pelo poder entre o clã Bolsonaro e a atual direção do partido presidencial, Partido Social Liberal, PSL, o líder da bancada parlamentar, Delegado Waldir, classificou o presidente brasileiro como um "vagabundo" e afirmou ter gravações que podem "implodir" o chefe de Estado.

O episódio ocorreu durante um almoço da ala do PSL contrária a que o clã Bolsonaro assuma o controlo do partido, e no qual um deputado da ala bolsonarista se infiltrou para gravar conversas, entre elas a ameaça de Waldir.

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"Eu vou implodir o presidente. Aí eu mostro a gravação dele. Eu tenho a conversa dele. Não tem conversa, não tem conversa, eu implodo o presidente", disparou Waldir no almoço, a que estavam presentes o presidente do PSL, deputado Luciano Bivar, que Jair Bolsonaro tenta tirar do cargo para assumir o controle do partido e das verbas milionárias destinadas às eleições municipais do próximo ano.

Horas depois de o aliado de Bolsonaro ter divulgado a ameaça, Waldir, mais calmo, negou ter alguma gravação que comprometa o presidente da República. E garantiu que, apesar da disputa interna dentro do PSL provocada pela tentativa de tomada do poder à força pelo clã Bolsonaro, o partido vai continuar a apoiar o governo.

Há duas semanas, Jair Bolsonaro e os filhos Eduardo, deputado federal, e Flávio, senador, abriram guerra total contra Bivar e toda a direção do PSL, partido pelo qual o presidente da República se elegeu depois de ter sido rejeitado por vários outros. A disputa pelo poder está a ser travada a um nível baixíssimo, até mesmo para a pouco ortodoxa política brasileira, com o clã Bolsonaro usando de todo o tipo de manobra para tentar tomar o comando, o que desagradou profundamente a muitos até agora aliados fiéis do chefe de Estado, como Waldir, que se sentiram traídos.

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"Eu sou o cara mais fiel a esse vagabundo (Jair Bolsonaro). Eu andei ao sol em 245 cidades a gritar o nome desse vagabundo.", acrescentou o líder do PSL na Câmara dos Deputados, cuja ação de orientação e comando da bancada pode ter forte influência na tramitação no Congresso de medidas de interesse do governo.

Outros deputados engrossaram o coro de queixas contra Jair Bolsonaro, tendo um deles dito que o presidente "caga na cabeça de todos". Outros ainda se queixaram de que Bolsonaro os trata como meros escravos, obrigados a fazer tudo o que ele quer, concordem ou não, e que não os recebe nem os apoia quando necessitam na implementação de obras e projetos nas suas regiões de origem.

A raiva do Delegado Waldir, que sempre teve uma postura de apoio dedicado ao governo e a Bolsonaro mas quando a guerra interna estourou no partido ficou do lado do presidente da sigla, Luciano Bivar, aumentou ainda mais na noite de quarta-feira, quando o chefe de Estado manobrou pessoalmente para o tirar da liderança no parlamento.

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Bolsonaro ligou para inúmeros deputados do PSL pedindo-lhes para tirarem Waldir da liderança e colocarem no lugar dele um dos filhos do presidente, Eduardo Bolsonaro, mas a manobra não obteve sucesso porque os aliados presidenciais não conseguiram as assinaturas suficientes para isso e, pior, um dos deputados aliciados divulgou o áudio da conversa sigilosa com o governante.

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