Linguista alerta para o risco de extinção dos crioulos de São Tomé e Príncipe
Panorama linguístico são-tomense sofreu uma reviravolta desde o final do século XIX.
O linguista Tjerk Hagemeijer alertou que os crioulos de São Tomé e Príncipe enfrentam um "declínio bastante acentuado" e estão em risco de extinção, com o português a assumir-se como a "língua hegemónica" no arquipélago.
O especialista em crioulos do Golfo da Guiné explicou, em entrevista à agência Lusa, que o panorama linguístico são-tomense sofreu uma reviravolta desde o final do século XIX, com a introdução do regime de contrato e a chegada de trabalhadores de Angola, Moçambique e Cabo Verde, o que fragmentou o uso das línguas locais.
"Hoje em dia, praticamente todos os são-tomenses e pricipenses falam português, maioritariamente como língua materna, e observa-se um declínio bastante acentuado das línguas crioulas, que ainda são línguas faladas, mas todas estas línguas estão em algum grau de risco de extinção", disse Hagemeijer, sublinhando que, enquanto quase 98% da população domina o português, a soma dos falantes de todas as línguas crioulas locais - forro, lung'ie e angolar - é já inferior a 50%.
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