Lula da Silva diz-se arrependido por ter protegido terrorista italiano no Brasil e é criticado por filho de vítima
Ex-presidente brasileiro afirmou que deu asilo a Battisti por ter informações de que era inocente das acusações.
O ex-presidente brasileiro Lula da Silva afirmou em entrevista a um canal no YouTube estar arrependido de ter dado asilo e protegido no Brasil o terrorista italiano Cesare Battisti, condenado a prisão perpétua e hoje preso na Itália por quatro assassínios cometidos nos anos 70, quando militava no grupo Proletários Armados Pelo Comunismo. Lula afirmou que deu asilo a Battisti por ter informações de que o italiano era inocente das acusações, e que ficou muito frustrado quando o terrorista, ao ser preso em 2019, confessou os crimes.
"Toda a esquerda brasileira, toda a gente defendia que o Battisti ficasse no Brasil. O meu ministro da Justiça, Tarso Genro, disse-me que não dava para extraditar o Battisti para Itália pois ele poderia ser inocente. Por isso, ative-me ao que o meu ministro disse, que ele era inocente. Quando ele foi preso e confessou, foi uma frustação para mim, uma grande frustração, porque ele comprometeu o meu governo."-Declarou o antigo presidente ao canal TV Democracia, eximindo-se ao menos parcialmente de culpa por ter mantido Battisti no Brasil, até contra decisão do Supremo Tribunal Federal, e de lhe ter concedido asilo político no último dia do seu governo, 31 de Dezembro de 2010.
Cesare Battisti fugiu da Itália e, depois de vários anos escondendo-se em diversos países, em 2004, segundo ano do primeiro governo de Lula da Silva, foi para o Brasil. Preso em 2007 por ordem do Supremo Tribunal brasileiro, que decretou a sua extradição para a Itália mas deu a Lula a palavra final sobre o assunto, Battisti foi solto dois anos depois e ficou no Brasil até final de 2018, quando fugiu para a vizinha Bolívia, onde foi preso em Janeiro de 2019 e entregue em menos de 24 horas às autoridades italianas.
Depois do reconhecimento por Lula da Silva de que errou ao proteger o antigo terrorista italiano, o filho de uma das vítimas de Battisti criticou o arrependimento tardio do brasileiro. Alberto Torregiani, filho de um joalheiro abatido a tiros por Battisti, afirmou estranhar que Lula da Silva venha agora tocar no assunto e pedir desculpas, que, frisou, neste momento já não servem para nada, e insinuou que o antigo presidente brasileiro o fez por o caso ter repercussão internacional e ele, que desde que saiu da prisão em 2019 anda longe dos holofotes, querer aparecer nos grandes meios de comunicação com objetivos pessoais.
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