Lula faz declaração perigosa e defende que filhos de Bolsonaro sejam enforcados
“Esses filhos do Bolsonaro são vendilhões da pátria", disse o Presidente brasileiro durante uma à cidade de Catalão, no estado de Goiás.
Numa declaração polémica e bastante perigosa, num país em que a política já é violenta mesmo sem incentivos como esse, o presidente Lula da Silva defendeu esta terça-feira num evento público na cidade de Catalão, no estado de Goiás, que os filhos de Jair Bolsonaro deviam ser enforcados. Lula referiu-se principalmente ao seu principal adversário na corrida para as presidenciais de Outubro, senador Flávio Bolsonaro, e ao irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, auto-exilado nos EUA, por terem articulado junto ao governo norte-americano ações que o veterano governante avalia como traição ao Brasil.
“Esses filhos do Bolsonaro são vendilhões da pátria. Foram pedir que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. São traidores. Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado. O que é que merecem esses traidores?”, disparou Lula, cometendo uma incorreção histórica, quem foi enforcado foi o próprio Tiradentes, um subtenente que trabalhava também como dentista nos tempos do império e supostamente comandou uma conspiração no estado de Minas Gerais contra a Coroa Portuguesa, e não o homem que o denunciou.
Lula tem sido nesta pré-campanha para as presidenciais de Outubro muito mais agressivo do que nas campanhas anteriores, mas desta feita ultrapassou todos os limites, repetindo em outros momentos do evento, mais uma das inúmeras inaugurações a que tem estado presente nos últimos meses, que Flávio e Eduardo deviam ser enforcados para servirem de exemplo. Pouco depois dessa triste declaração, o senador Flávio Bolsonaro anunciou que vai apresentar uma queixa-crime ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra Lula por ameaça de morte e incentivo à prática de crime.
A fúria de Lula da Silva, que está com 80 anos mas não obstante essa idade é candidato ao quarto mandato presidencial, decorre da decisão do Departamento de Estado dos EUA de classificar as duas maiores fações criminosas brasileiras, o PCC, Primeiro Comando da Capital, de São Paulo, e CV, Comando Vermelho, do Rio de Janeiro, como organizações terroristas de âmbito global. Dias depois, o Escritório de Comércio dos EUA concluiu uma investigação de 11 meses sobre supostas práticas comerciais desleais do Brasil e propôs inicialmente uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, a que esta terça-feira adicionou uma outra sobretaxa, de mais 12,5%, por alegadamente o governo de Brasília não combater o trabalho infantil e o trabalho escravo.
Para Lula, as duas medidas foram tomadas por pressão de Eduardo Bolsonaro, que é próximo a assessores de Donald Trump, e após a visita, na semana passada, de Flávio Bolsonaro a Washington, onde se reuniu separadamente com Trump, com o vice-presidente, J.D. Vance, e com o secretário de Estado, Marco Rúbio. Ambas as medidas atingem Lula e o Brasil em cheio em meio à disputa presidencial, e o astuto político adotou como resposta os ataques insistentes aos Bolsonaro como traidores da pátria e a defesa da soberania nacional, tentando granjear o apoio dos eleitores.
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