Lula da Silva vai ligar a Donald Trump para tentar reverter decisão de Marco Rubio sobre PCC e Comando Vermelho
Governante brasileiro vai tentar convencer Donald Trump de que a decisão de Rubio foi um erro grave.
O presidente do Brasil, Lula da Silva, vai ligar para o seu homólogo norte-americano, Donald Trump, para tentar reverter a decisão anunciada quinta-feira pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, de classificar como organizações terroristas as duas principais facções criminosas brasileiras. A informação foi avançada pelo ministro brasileiro da Economia, Dario Durigan, após uma reunião de emergência esta sexta com a ministra-chefe da Casa Civil, Míriam Belchior, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Mauro Vieira, sobre a decisão americana.
Lula não vai procurar os canais diplomáticos e sim ligar directamente para Trump através do telemóvel pessoal do presidente dos EUA, que meses atrás deu o número para o brasileiro durante um telefonema de mais de uma hora entre ambos. O governante brasileiro vai tentar convencer Donald Trump de que a decisão de Rubio foi um erro grave, a que o secretário de Estado foi levado por informações enganosas passadas pelo senador Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, no encontro que teve quarta-feira no Departamento de Estado.
Na visita que fez há menos de um mês a Donald Trump na Casa Branca, Lula pediu-lhe que não classificasse o PCC, Primeiro Comando da Capital, de São Paulo, e o CV, Comando Vermelho, do Rio de Janeiro, as duas maiores facções do Brasil, como organizações terroristas. Ao regressar ao Brasil, Lula deu a entender que Trump tinha aceite o seu pedido e que o assunto estava encerrado, pelo que o anúncio de quinta-feira de Rubio caiu como uma bomba no governo de Brasília e já se configura como uma grande derrota diplomática e política para o veterano presidente, de 80 anos, e logo quando ele está em campanha aberta para tentar ser reeleito mais uma vez nas presidenciais de Outubro.
Por sua vez, nas reuniões que teve com Donald Trump na Casa Branca na terça-feira e com Marco Rubio no Departamento de Estado na quarta, Flávio Bolsonaro, principal adversário de Lula na disputa presidencial, pediu a ambos para classificarem os dois grupos brasileiros como organizações criminosas. Ele foi atendido imediatamente, o que para o eleitor comum pareceu uma amostra do seu suposto poder de influência junto ao governo do país mais rico e poderoso do mundo, surgindo como uma possibilidade de melhorar a sua imagem interna e reverter a queda de quatro pontos nas sondagens após a fuga de mensagens mostrar uma constrangedora proximidade dele com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraudes milionárias.
Lula não quer a mudança de classificação por temer que os EUA usem a decisão como pretexto para acções no Brasil alegando estarem a defender a segurança dos norte-americanos, como fizeram para intervir na vizinha Venezuela. Mas a tentativa do presidente do Brasil de mudar a situação deve estar fadada ao fracasso, pois Trump dificilmente irá desautorizar Marco Rubio, e porque o próprio presidente norte-americano já expressou inúmeras vezes a sua preocupação com os grupos criminosos brasileiros, que segundo a Casa Branca já actuam em pelo menos 12 estados dos EUA, tendo inclusive pedido a Lula para os combater com mais empenho (FIM).
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