Lula recusa religião obrigatória nas escolas

O Brasil, maior nação católica do Mundo, tem a partir de hoje o seu próprio santo nascido no país, Frei Galvão, que será canonizado esta manhã pelo Papa Bento XVI numa missa campal na pista de um aeroporto de São Paulo, perante mais de um milhão e meio de fiéis. Num compromisso com final bem menos positivo, na reunião de ontem com o Sumo Pontífice o presidente Lula da Silva recusou propostas do Vaticano, entre as quais tornar obrigatório o ensino religioso nas escolas públicas brasileiras, e reafirmou o Brasil como estado laico.

11 de maio de 2007 às 00:00
Lula recusa religião obrigatória nas escolas Foto: Reuters
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Orientado por conselheiros de relações internacionais, Lula, de acordo com uma fonte da sua assessoria, afirmou ao Sumo Pontífice que a função da Igreja é cuidar dos problemas espirituais e ajudar nas questões sociais. O Papa propôs ao presidente a assinatura de um acordo entre o Vaticano e o Brasil, pelo qual este país reconheceria à Igreja Católica direitos e privilégios, garantiria isenção de impostos e a preservação de templos, liberdade total de culto, facilidades na concessão de vistos a missionários e a obrigatoriedade do ensino religioso nas escolas públicas. Lula rejeitou todas as sugestões. Apesar disso, e ainda segundo a mesma fonte, Bento XVI terá afirmado que não se dava por vencido e que esperava conseguir assinar o acordo ainda durante o seu papado e o mandato de Lula, ou seja, nos próximos três anos.

O ‘não’ de Lula às propostas do Vaticano não chegam no entanto para ensombrar a visita pastoral. Hoje, concretizando um anseio antigo dos católicos brasileiros e num momento de grande importância para a Igreja local, terá lugar a canonização de Frei Galvão, que será santificado com o nome de Santo António de Sant’Anna Galvão.

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Além da reunião que manteve com o presidente Lula da Silva, Bento XVI teve ontem mais um ponto alto na agenda da visita de cinco dias que está a efectuar ao Brasil. Dezenas de milhar de jovens convergiram para o estádio de futebol de Pacaembu para se reunirem e saudarem o chefe da Igreja Católica. De facto, mesmo sem ter com o Brasil a mesma relação forte de João Paulo II, Bento XVI tem reunido surpreendente apoio popular. Caravanas de todo o país e de vários Estados da América Latina peregrinaram até S. Paulo para saudar o Papa e multidões têm enfrentado chuvas fortes e as temperaturas baixas do ano para o felicitarem nas deslocações de papamóvel.

- Bento XVI vai beber cinco vinhos portugueses made in Brasil, da marca Rio Sol, durante a visita ao país, anunciou a empresa Dão Sul. A empresa, que produz os vinhos Quinta de Cabriz e Casa de Santar, é accionista da Vinibrasil, cujos vinhos Rio Sol serão os únicos do Brasil a serem escolhidos para compor a ementa do Papa.

- Os jovens não têm regateado apoio a Bento XVI nesta sua primeira visita pastoral ao Brasil. Ontem convergiram aos milhares para o Estádio de futebol de Pacaembu, em S. Paulo, onde o Sumo Pontífice vai ouvir os mais novos, em quem deposita a esperança de poderem renovar a espiritualidade cristã.

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- O rigor da segurança é tão grande que foi mesmo proibido o uso de guarda-chuvas em todas as cerimónias com a presença do Papa, mesmo ao ar livre, como as missas de amanhã em São Paulo e no domingo na cidade de Aparecida. Isto numa semana em que toda a região está sob fortes chuvadas...

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