Luta contra o tempo para salvar portugueses vítimas dos sismos que abalaram a Venezuela

Apelos à localização de dezenas de portugueses continuam, sobretudo através das redes sociais. "Foi uma experiência traumática e muito forte", relata ao José António, um português a viver em Caracas.

27 de junho de 2026 às 01:30
Equipas de resgate continuam a trabalhar no meio dos destroços na Venezuela Foto: Ronald Pena R/EPA
Eleana Pires e as filhas, Patrícia e Verónica, estão entre as vítimas mortais Foto: Direitos Reservados

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Eleana Pires (45 anos) e as filhas, Patrícia (14) e Verónica (17); Ângela Betty Gouveia (53) e Gabriel Sousa Reinaldo (56 anos). Estes são os primeiros nomes conhecidos de portugueses e lusodescendentes que perderam a vidas no duplo sismo que arrasou o centro da Venezuela. Todos residiam na zona de La Guaira e tinham raízes familiares na ilha da Madeira. "É bastante doloroso, mas temos de recuperar, a vida continua, não é fácil esta situação, uma tragédia", disse ao CM na Madeira Emanuel Telo, familiar de Eleana Pires e filhas.

Até sexta-feira à noite, o Ministério dos Negócios Estrangeiros tinha confirmado pelo menos 28 vítimas mortais portuguesas. Há ainda cerca de 85 pessoas da comunidade lusa desaparecidas. Se nas primeiras horas estavam apenas incontactáveis, agora teme-se que estejam entre os escombros das centenas de prédios que ruíram. Na Venezuela vivem mais de 220 mil portugueses e quase um milhão de lusodescendentes.

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“A situação é muito difícil. Muitos prédios foram abaixo, mas os que ficaram de pé podem cair a qualquer momento. Temos muito medo, medo de voltar a casa por causa das réplicas. As pessoas estão na rua, nas entradas do metro. Em La Guaira, o centro está fechado. Tentei levar pão e água, mas não deixaram passar. Só podemos rezar, tenho a certeza que muita gente da nossa comunidade foi afetada”, contou Francisco Valente ao CM.

“Foi uma experiência traumática e muito forte", relata José António de Andrade, outro português a viver na região de Caracas. "Palavra de honra que pensei que tinha chegado ao fim dos meus dias. Começou tudo a cair à nossa volta, tudo a partir, parecia que a intensidade cada vez era maior", acrescenta, afirmando que a casa "aguentou bem", mas sofreu pequenos "cortes nos pés". Logo a seguir, "o medo" levo-o a sair de casa, onde ainda não voltou a entrar.

Muitos procuram por familiares e mantêm a esperança no meio da tragédia. "A minha netinha está desaparecida", chora Manuel Sardinha, outro português que estava "há uma vida em Caracas". Um dos filhos, Victor, foi resgatado dos escombros na sexta-feira de madrugada, após 34 horas soterrado. Duas noras, a neta de quatro anos e os padrinhos desta continuavam desaparecidos, mas suspeita-se que não tenham escapado à derrocada do prédio de oito andares onde viviam. Manuel Sardinha estava a trabalhar e tinha na sua companhia o filho mais novo, ambos escaparam ilesos.

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Os apelos à localização de dezenas de portuguesas continuavam na sexta-feira, sobretudo através das redes sociais.

Era o caso de Célia Filipa da Silva Ferreira, de 49 anos, natural da ilha da Madeira, e do filho Samuel, de 13 anos. Viviam na zona de Los Corales e estão incontactáveis desde o momento dos sismos.

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