Lutador profissional tenta recuperar mota roubada em favela do Rio de Janeiro e é assassinado

Assaltantes executaram Diego Braga Nunes depois de descobriram no telemóvel da vítima contactos de membros de um grupo criminoso rival.

16 de janeiro de 2024 às 18:21
Diego Braga Nunes Foto: Instagram
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Um lutador de Muay Thai e de MMA bastante conhecido nos meios desportivos foi assassinado esta segunda-feira por traficantes de droga numa favela do Rio de Janeiro depois de ter ido sozinho à comunidade tentar recuperar a sua mota, roubada horas antes por dois criminosos. Diego Braga Nunes, de 44 anos, foi executado após os traficantes terem descoberto no telemóvel dele os contactos de membros de um grupo rival.

O lutador, que quando ainda lutava profissionalmente enfrentou nomes mundialmente famosos como Charles do Bronx, Anderson Silva, Minotauro e Minotoro, foi espancado, torturado e depois executado a sangue-frio por traficantes ligados ao Comando Vermelho (CV) a maior organização criminosa do Rio de Janeiro, na favela do Morro do Banco, em Itanhangá, na zona oeste daquela cidade brasileira. Um homem identificado pela polícia como Tauã da Silva, de 18 anos, conhecido no mundo do crime como 2B, foi preso esta terça-feira e confessou ter participado no assassínio do lutador.

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Diego teve a sua mota roubada de casa, na região da Muzema, também na zona Oeste da capital fluminense, durante a madrugada de segunda-feira, e, ao analisar as imagens do circuito interno de videovigilância do condomínio onde vivia, conseguiu ver os rostos dos dois ladrões e decidiu ir atrás deles. Ao longo de segunda-feira, percorreu ruas e vielas das favelas do Morro da Tijuquinha e do Morro do Banco, procurando a sua mota, mas acabou por ser feito refém por traficantes nesta última.

O lutador explicou aos traficantes que só queria recuperar a mota e estava tudo a correr aparentemente bem até que, ao vasculharem o telemóvel de Diego, os criminosos encontraram os contactos de membros de um grupo criminoso rival, uma milícia que até há pouco mais de um mês dominava a Muzema, onde ele morava. Ao verem os nomes dos rivais, os traficantes ficaram ainda mais violentos e começaram a questionar Diego sobre a relação dele com a milícia, expulsa da Muzema pelo mesmo grupo que o fez refém, e não acreditaram quando ele garantiu que não tinha nada a ver com milicianos, somente os conhecia por viverem todos no mesmo bairro.

Segundo o depoimento de Tauã esta terça-feira ao ser preso, ao perceber que poderia ser morto, Diego tentou fugir das mãos dos criminosos, todos fortemente armados, e começou a correr, mas foi alcançado, brutalmente agredido e depois morto.

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Amigos que já o procuravam receberam na tarde de segunda-feira a informação de que o corpo de Diego tinha sido deixado pelos assassinos numa praça do Morro do Banco e foram para lá, confirmando a morte do lutador, que ao longo da sua carreira venceu 23 lutas, empatou 1 e perdeu oito, e atualmente era dono de uma academia de formação de lutadores, a Tropa Tahy, que tem como um dos seus maiores expoentes o próprio filho, Gabriel Braga, que no ano passado fez sucesso nos EUA na categoria UFC.

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