Mais de 100 organizações pedem à COP30 processo real para fim dos combustíveis fósseis
Organizações salientam que roteiro para os combustíveis fósseis precisa ir "além de um exercício técnico".
Mais de 100 organizações da sociedade civil pediram à presidência da conferência do clima da ONU realizada no Brasil em 2025 (COP30), um processo "real e inclusivo" para o fim dos combustíveis fósseis.
Numa carta aberta dirigida à presidência da COP30, na sequência de uma carta publicada pelo presidente da conferência, André Corrêa do Lago, as 114 organizações alertam que "sem um compromisso político mais forte e um processo genuinamente participativo" o roteiro para o fim dos combustíveis fósseis corre o risco de se tornar "mais um documento que junta poeira".
O roteiro foi proposto pelo Brasil na COP30, realizada em Belém em novembro do ano passado, mas o documento ficou fora do texto final, por pressão dos países produtores de petróleo.
Na carta as organizações alertam que a credibilidade da ação climática global depende cada vez mais da capacidade dos governos de promover uma "redução justa e ordenada da produção e do consumo de combustíveis fósseis".
E salientam que a iniciativa de roteiro para os combustíveis fósseis da Presidência da COP30 precisa ir "além de um exercício técnico".
"Se algo ficou absolutamente claro no início de 2026, é que os países precisam de se libertar dos mercados voláteis de petróleo, que os expõem a riscos geopolíticos e a choques recorrentes de preços. Tem de haver uma redução ordenada dos combustíveis fósseis e distribuição de energia acessível e justa", disse Andreas Sieber, chefe de estratégia política da organização "350.org", que coordenou a iniciativa da carta com a rede brasileira Observatório do Clima.
A carta alerta que a dependência contínua de combustíveis fósseis expõe os países a choques de preços, conflitos e coerção, acrescentando que uma transição baseada na ciência é essencial não apenas para os objetivos climáticos, mas também para a resiliência económica e a estabilidade política.
Entre os signatários do documento, a que a Lusa teve acesso, estão organizações de justiça climática, povos indígenas, direitos humanos, grupos religiosos e comunitários.
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