Mais de 200 vacinas fora do prazo de validade foram administradas a bebés no País Basco
Pelo menos 50 enfermeiros administraram 262 doses de vacinas caducadas. Há dúvidas sobre a necessidade de revacinação.
Pelo menos 50 enfermeiros administraram 262 doses de vacinas fora do prazo de validade a 253 pacientes no País Basco, a maioria bebés com menos de um ano de idade, além de meia dúzia de idosos. A situação levou o Governo basco a ordenar uma investigação interna para apurar a cadeia de falhas que permitiu a utilização das vacinas caducadas em vários centros de saúde públicos e numa unidade privada.
“O erro humano multiplicou-se”, reconheceu esta quarta-feira o ministro da saúde, Alberto Martínez, após a confirmação do caso. As vacinas em causa são do tipo hexavalente e destinam-se a proteger os bebés contra seis doenças graves: difteria, tétano, tosse convulsa, poliomielite e hepatite B. As doses pertenciam a um lote fornecido pelo laboratório MSD cuja data de validade indicada era outubro de 2025.
O alerta foi dado a 15 de janeiro por uma enfermeira de Rentería, na província de Gipuzkoa, que detetou que estavam a ser administradas vacinas fora do prazo. Apesar disso, o Departamento de Saúde admite ainda desconhecer em que ponto da cadeia de distribuição ou administração ocorreu o erro, de acordo com o jornal El Mundo.
Segundo o Governo basco, a situação é mais complexa do que inicialmente parecia. Embora o lote indicasse outubro de 2025 como data limite, a Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos de Saúde considera que o registo desta partida permite prolongar a sua vida útil até novembro. Com base nesse critério, Alberto Martínez procurou reduzir a preocupação social, explicando que o número de crianças potencialmente não protegidas contra as seis infeções diminuiria para 98.
“Quisemos agir com a máxima prudência”, afirmou o conselheiro, justificando o intervalo de doze dias entre o alerta inicial e a comunicação pública do problema, que só ocorreu a 27 de janeiro, após a deputada Rebeka Ubera ter apresentado uma iniciativa parlamentar. Durante esse período, o Governo regional ordenou a retirada do lote a 20 de janeiro e solicitou de imediato um parecer à Agência Espanhola de Medicamentos para definir o procedimento a seguir.
No entanto, os especialistas não estão de acordo quanto à necessidade de revacinar as crianças afetadas. Enquanto a Agência Espanhola do Medicamento não recomenda a revacinação, o Conselho Assessor de Vacinas do País Basco defendeu essa opção após uma reunião realizada a 26 de janeiro. Esta divergência mantém-se e, por enquanto, as famílias estão apenas a ser informadas de que foram administradas vacinas fora do prazo, sem uma decisão definitiva sobre a eventual revacinação.
Alberto Martínez espera que, ainda esta quarta-feira, os especialistas bascos clarifiquem a sua posição e decidam se mantêm a recomendação de revacinar ou se alinham com o mais recente relatório da Agência Espanhola, que considera desnecessária a revacinação das crianças que receberam doses aos dois meses, quatro meses e ao primeiro ano de idade.
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