Mais de mil assinaturas contra expulsão de aluno que pediu inquérito a incêndio em Hong Kong
Miles Kwan Ching-fung, que lançou uma petição a pedir uma investigação independente ao incêndio que causou em novembro 168 mortos em Hong Kong, foi expulso da CUHK.
Mais de mil pessoas já assinaram uma petição a pedir a uma universidade de Hong Kong a reintegração do estudante que foi expulso após pedir uma investigação independente a um incêndio que causou 168 mortos.
Docentes, alunos e antigos alunos da Universidade Chinesa de Hong Kong (CUHK, na sigla em inglês) já tinham assinado a petição online até domingo à noite, avançaram os promotores da iniciativa.
De acordo com um comunicado enviado à imprensa e citado pelo portal de notícias Hong Kong Free Press (HKFP), a petição foi lançada na sexta-feira por "um grupo de estudantes, docentes e alumni" da universidade.
Em 12 de fevereiro, Miles Kwan Ching-fung, que lançou uma petição a pedir uma investigação independente ao incêndio que causou em novembro 168 mortos num complexo habitacional em Hong Kong, anunciou que tinha sido expulso da CUHK.
A petição lançada na sexta-feira critica a decisão de um comité disciplinar da CUHK de expulsar Miles Kwan, de 24 anos, como uma "injustiça processual".
Em 14 de fevereiro, o jovem disse ao HKFP que foi convocado para uma reunião do comité disciplinar, em 07 de janeiro, devido a "múltiplos atos de má conduta", mas que o comité nunca relevou quais os alegados atos.
A petição alega que o comité "parece ter privado (...) Kwan do seu direito fundamental, constitucionalmente garantido, a um julgamento justo".
Os promotores da iniciativa recordaram que as regras internas da CUHK prevêm que "os casos sob investigação policial/processos judiciais (...) devem ser tratados após o conhecimento do resultado da investigação/sentença judicial".
Em 26 de novembro, 168 pessoas morreram no complexo de habitação social Wang Fuk Court, no pior incêndio a atingir Hong Kong em quase oito décadas.
Três dias depois, a polícia de Hong Kong deteve Kwan por suspeita de sedição - um crime que pode acarretar a pena de prisão perpétua - depois de o jovem ter lançado uma petição, que chegou a reunir mais de mil assinaturas.
O estudante sublinhou que a CUHK admitiu "falta de informação" sobre a detenção e justificou a expulsão com a "atitude indelicada e desrespeitosa para com o comité" e uma alegada violação das regras de confidencialidade.
"Quando o comité considerou as provas insuficientes", isso "deveria ter levado à suspensão do processo", refere a petição lançada na sexta-feira.
As duas novas acusações foram "impostas sem notificação prévia" a Miles Kwan e apenas "após a conclusão da audiência", lamenta o documento.
Além disso, o estudante foi acusado de ter uma "atitude indelicada e desrespeitosa" apenas por questionar "a base jurídica do processo disciplinar", acrescenta a petição.
Dias depois do incêndio, o líder do governo de Hong Kong, John Lee Ka-chiu, criou uma comissão de inquérito independente, presidida por um magistrado, para esclarecer as causas do fogo e da sua rápida propagação.
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